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TMG Automotive aumenta produção

Para dar resposta a um novo contrato até 2026 com a Mercedes e ao aumento da procura, a TMG Automotive está a investir 45,5 milhões de euros numa nova unidade de produção nas míticas instalações do grupo empresarial em Famalicão, que deverá começar a laborar em janeiro do próximo ano.

O percurso pelos 25 mil metros quadrados permitem já vislumbrar o que os 169 trabalhadores irão encontrar, daqui a alguns meses, em janeiro de 2018, nas novas instalações da TMG Automotive.

Numa visita do presidente da câmara municipal de Vila Nova de Famalicão, Paulo Cunha, no âmbito do roteiro Famalicão Made In, guiada pela administradora da TMG Automotive, Isabel Furtado, e por João Pedro Silva, responsável de investimentos da TMG Automotive, que o Jornal Têxtil acompanhou, foi possível ver a zona de armazém, que servirá não só para as matérias-primas mas também para o produto acabado, a “cozinha”, como é chamada a zona de preparação de pastas, com três pisos de altura e automatizada, onde será feita a mistura do PVC que vai alimentar a máquina de recobrimento e, no último piso, a zona produtiva por excelência, onde, nesta primeira fase, será instalada uma máquina de recobrimento com 120 metros de comprimento, uma máquina de lacar e um equipamento de gravação, com capacidade para produzir 10 milhões de metros por ano.

«Neste momento conseguiremos fazer aqui 10 milhões de metros e depois é por unidade de extensão», afirmou Isabel Furtado, acrescentando, em resposta à pergunta do Jornal Têxtil, que «podemos chegar aos 130 milhões de euros de volume de negócios», num processo de crescimento gradual.

«Tem de ser suavemente e tem que se ganhar mercados. Posso dizer que nos próximos dois anos teremos mais de 100 Start of Productions, as chamadas Sops. Isso implica que são 100 produtos novos a entrar, o que já é muito complexo de gerir e de executar», referiu, num artigo publicado na edição de setembro do Jornal Têxtil.

Mercedes impulsiona investimento

O negócio automóvel da TMG nasceu nos anos 70, com a produção de artigos para o Saab Monaco. Hoje, a empresa, que se define como «transformadora de polímeros», no chamado Tier 2, trabalha diretamente com os OEM (Original Equipment Manufacturer – produtores de equipamento original) e empresas de Tier 1 e conta com uma lista de clientes encabeçada pela Mercedes e BMW e seguida por marcas como Volvo, Opel, Toyota, Jaguar e Porsche, para os quais fornece «todo o material flexível e macio para o interior do automóvel», desde o tablier aos estofos.

Um novo contrato com a Mercedes, válido de 2018 a 2026, obrigou a novos investimentos. «Temos uma capacidade praticamente esgotada na fábrica existente [em Campelos] e, portanto, houve a necessidade de investir numa nova linha, numa nova fábrica – uma réplica, digamos assim, da fábrica que já tínhamos», explicou Isabel Furtado. Contudo, o crescimento não está exclusivamente associado à produtora alemã de automóveis.

«É um crescimento generalizado. Claro que ganhando um projeto novo como é o caso da Mercedes, não podemos acomodar esse projeto mais outros que virão na fábrica que existe neste momento. Teremos de crescer para acomodar esse e outros projetos», afirmou a administradora.

Pensar os novos automóveis

Com 98% de exportação para todo o mundo – 10% dos quais com destino à China – e a concorrência acérrima de outros players internacionais, a TMG Automotive tem-se focado na diferenciação, conseguida através de várias certificações e ligação com instituições reputadas – «somos a única empresa não alemã que pertence à VDA [associação alemã da indústria automóvel]», sublinhou Isabel Furtado –, assim como no investimento em I&D, onde conta com diversos parceiros, como o CeNTI e a Universidade do Minho.

«Gastamos 4% a 6% do volume de negócios em inovação e sabemos que 26% dos nossos produtos têm origem em projetos de inovação. Temos sete patentes, algumas desenvolvidas com clientes, nomeadamente com a BMW e a Daimler», revelou a administradora.

Atenta também às tendências do mercado, a TMG Automotive acredita que o futuro do sector passará pela mobilidade elétrica, segurança e estética apurada, mas também pela funcionalidade e características ecológicas dos materiais. Para responder a esta evolução, a empresa tem apresentado novas soluções, como um “insert” para a porta de um BMW em PVC com cortiça, que reutiliza desperdícios da Corticeira Amorim.

A TMG Automotive deverá fechar o ano com de 2017 com 573 trabalhadores e uma faturação de 98 milhões de euros