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TMG Automotive investe na pele artificial

O Confinseat, da TMG Automotive, pretende melhorar o conforto da pele artificial, nomeadamente em termos térmicos. A primeira fase do projeto, atualmente no primeiro ano, identificou já materiais e aditivos que poderão ajudar a alcançar esse objetivo.

Anabela Carvalho e Gonçalo Silveira

O projeto Confinseat, que está a ser desenvolvido em parceria com o CeNTI, pretende resolver um dos principais problemas resultantes da utilização de pele artificial no interior dos veículos: o conforto térmico. «Para aumentar o conforto térmico de uma pele artificial existem quatro fatores a ter em conta», revelou, durante a sua intervenção na iTechStyle Summit, Gonçalo Silveira, engenheiro de produto da TMG Automotive, enumerando «a capacidade de permear o vapor de água por convecção – normalmente conhecemos esta propriedade como a respirabilidade; a capacidade de permear água em estado líquido por absorção e difusão ao longo da sua espessura, e esta propriedade é normalmente conhecida como gestão de humidade; temos também a temperatura superficial; e, por fim, a condutividade térmica».

Até agora, a pele artificial consegue «cumprir praticamente todas as características necessárias num assento de automóvel, que são sobretudo o aspeto superficial, o toque e a durabilidade», assegurou Gonçalo Silveira. «No que diz respeito ao conforto térmico, como as peles artificiais são materiais à base de PVC, preferencialmente, e sendo o PVC um material muito hidrofóbico, o conforto normalmente é afetado, e até aos dias de hoje estava a ser bastante negligenciado», explicou o engenheiro de produto da TMG Automotive, que recentemente investiu numa nova unidade industrial.

Funcionalizar materiais

O problema, apontou, durante a mesma apresentação, Anabela Carvalho, investigadora do CeNTI, é que «este conforto não é só uma propriedade, mas o resultado de um conjunto e da combinação de várias propriedades». Como tal, «a nossa estratégia visa a funcionalização através da aditivação das camadas que constituem a pele artificial, o tecido plastificado, e recorrendo a metodologias matemáticas de simulação para fazer a validação e a verificação dessas alterações no desempenho do material final», explicou.

O primeiro passo no projeto, que terá uma duração de três anos, passou pela identificação de «materiais que pudéssemos usar como agentes refletores da radiação» e «aditivos que permitam trabalhar a condutividade ao longo da estrutura de forma a garantir que o calor não se acumula à superfície, ficando em interação com o utilizador, mas que é dissipado ao longo da estrutura», adiantou Anabela Carvalho.

Embora ainda numa fase muito inicial, os resultados estão, para já, a revelar-se promissores. «Conseguimos perceber que é possível prever o desempenho térmico dos materiais através do uso de ferramentas matemáticas e de certa forma conseguimos corroborar os resultados que temos das leituras dos ensaios que fazemos, o que nos permite também otimizar esse modelo matemático para ser cada vez mais aproximado ao real», concluiu a investigadora do CeNTI.