Início Notícias Marcas

Tommy Hilfiger em realidade virtual

A realidade virtual tem sido, até ao momento, um reduto exclusivo dos fãs de videojogos e adeptos das últimas tecnologias, mas esta tendência apodera-se rapidamente do sector do retalho, que promete imergir os seus clientes nas potencialidades do fenómeno.

A realidade virtual está cada vez mais presente no sector do retalho. A indústria já criou, até, um novo termo que define as vendas efetuadas através de tecnologia de realidade virtual: v-commerce.

A Tommy Hilfiger tornou-se a primeiro grande retalhista a incorporar a tecnologia de realidade virtual nas suas lojas esta semana, conduzindo os clientes numa viagem virtual, através de um dispositivo Samsung GearVR, pelo desfile de moda outono-inverno 2015/2016 da marca, que teve lugar no passado mês de fevereiro em Nova Iorque.

O dispositivo de realidade virtual, que a Tommy Hilfiger passou a disponibilizar na sua loja nova-iorquina, localizada na Quinta Avenida, na última terça-feira, proporciona aos clientes uma perspetiva de primeira fila tridimensional do desfile realizado no Park Avenue Armory.

Durante a pré-visualização, um repórter colocou o GearVR e sentou-se a escassos metros de modelos virtuais, que desfilavam numa passerelle decorada com itens alusivos à temática do futebol. Por cima, era visível o teto cavernoso do Armory e, olhando nas várias direções, podiam ver-se filas de convidados, quase palpáveis.

Para captar a imagem de 360 graus, a Tommy Hilfiger colaborou com o start-up WeMakeVR, sediada na Holanda, que gravou o desfile, recorrendo a uma câmara de três dimensões, dotada de 14 lentes especiais. As lentes permitem que a câmara capte a imagem vídeo em 360 graus, vertical e horizontalmente, sem ângulos mortos.

Daniel Grieder, CEO da Tommy Hilfiger, afirmou que os dispositivos de realidade virtual permitem que os consumidores que nunca assistiram a um desfile possam ver e comprar os estilos da nova estação. Estes dispositivos estarão disponíveis nas principais lojas da marca nos Estados Unidos e na Europa, conferindo um fator de entretenimento aos seus pontos de venda.

Este aspeto é vital para as lojas físicas, que se debatem com um panorama de retalho cada vez mais digital, apontou Grieder. «Atualmente, não podemos simplesmente esperar que as pessoas entrem na loja e experimentem os nossos casacos. Temos de proporcionar entretenimento», defendeu. «Já não se trata de aferir o volume de negócios por metro quadrado. Trata-se de avaliar o fator surpresa por metro quadrado, ou inovação», explicou o CEO.

A Tommy Hilfiger, que reportou um volume de negócios de 6,7 mil milhões de dólares em 2014, é uma das muitas retalhistas que começam agora a explorar as potencialidades da realidade virtual como uma ferramenta de vendas, num momento em que competem com as plataformas online pela atenção dos consumidores. No entanto, a adoção efetiva desta tecnologia pelas retalhistas tem-se operado lentamente, acompanhando a chegada gradual de modelos de consumo de dispositivos de realidade virtual ao mercado.

No próximo mês, a Samsung irá lançar o modelo de consumo do GearVR, que utiliza os smartphones como processador e display. O Oculus VR, desenvolvido pelo Facebook, deverá estar à venda já no próximo ano. Por seu lado, a Sony prepara-se também para lançar um dispositivo de realidade virtual associado à consola PlayStation 4, conhecido como Project Morpheus, durante o primeiro semestre do próximo ano.

No entanto, persistem ainda múltiplas dúvidas sobre se a realidade virtual, promovida durante décadas como a próxima grande revelação tecnológica, irá efetivamente conquistar o segmento dos videojogos e retalho. Reduzir o desconforto causado pela realidade virtual em algumas pessoas e diminuir o tamanho dos dispositivos já existentes são alguns dos desafios que subsistem.

Os apologistas da realidade virtual procuram distanciar esta tecnologia de outras tendências passageiras do passado. «O cinema em três dimensões foi um truque, um artifício», afirma Avinash Changa, CEO da WeMakeVR. «Mas a realidade virtual pode ser relevante. Estamos a aplicar essa tecnologia para lá dos truques», acredita Changa.