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Top Trends ataca em todas as frentes

Ser uma empresa sustentável é uma das prioridades da Top Trends, mas não é a única. A empresa tem vindo a introduzir materiais mais naturais, reciclados e recicláveis nos produtos da sua marca própria Mad Dragon Seeker, ao mesmo tempo que procura expandir a sua presença, física e digital.

Daniel Simões

Com as preocupações da atualidade em mente, a Top Trends reinventou-se para incorporar uma perspetiva mais amiga do ambiente. Inovação, sustentabilidade e conforto são atualmente os conceitos que orientam os artigos produzidos pela empresa. «Quando falamos da nossa coleção, além de tentarmos apresentar matérias-primas novas, como é o caso do liocel, tentamos cada vez mais trabalhar com materiais naturais e não sintéticos», afirma Daniel Simões, CEO da Top Trends. «Tentamos associar a isso um design apelativo e confortável, sem nunca descurar a qualidade que entendemos como exigível», explica ao Portugal Têxtil.

Aliás, mesmo em private label, esse é um requisito essencial. «Em private label temos que fazer muito de encontro ao que o cliente nos pede. Mas há uma regra da qual não abdicamos: tem de haver um mínimo de qualidade para trabalharmos para esse cliente. É uma questão de imagem, queremos ser conhecidos como uma empresa que trabalha com o mínimo de qualidade exigida e que, dentro desse mínimo, pode trabalhar com mais qualidade», assegura o CEO.

O liocel é a grande aposta da Top Trends, que tem vindo a trabalhar nesta matéria-prima na base da experimentação. «Só se consegue ter o know-how na experimentação, ou seja, na tentativa e erro. É assim que se vai descobrindo algumas formas de melhorar. O investimento passa muito por custo de tempo. Temos que ver como é que o produto reage. Isto requer todo um processo diferente de construção da peça, requer todos os cálculos de encolhimentos que possam ter e que têm de ser previstos na modelagem para que depois, na peça final, as medidas estejam corretas. É ir acertando e ajustando», explica Daniel Simões.

A redução da utilização da água nos processos de tingimento e a incorporação de corantes solúveis, reciclados ou recicláveis são também preocupações da empresa.

Neste caminho da sustentabilidade, a Top Trends fez igualmente modificações ao nível das instalações. «Houve uma preocupação em termos um edifício muito envidraçado para não termos um consumo exagerado de energia por necessitarmos de iluminação artificial. Toda a iluminação foi estudada, é tudo em LED’s, toda a água utilizada é aquecida através de painéis solares. Todo o processo foi pensado neste sentido, não só na parte produtiva, mas na estrutura da empresa», garante.

Reforçar a aposta

A presença nacional da Top Trends é feita exclusivamente através da marca, já que em private label a empresa trabalha exclusivamente para exportação, nomeadamente Holanda, Itália, França, Espanha e Alemanha. «Temos apostado mais no mercado alemão porque tem havido resultados e angariação de novos clientes», justifica o CEO.

Com o objetivo de aumentar a quota de exportação, a estratégia da especialista em vestuário passa por efetuar contactos diretos através da presença em feiras. «Neste momento, a quota está aproximadamente nos 35% e está a crescer de ano para ano», indica Daniel Simões.

No ano passado, o volume de negócios da Top Trends rondou os 500 mil euros. Para 2019, o balanço é mais positivo, ainda que fique abaixo da meta inicialmente prevista de chegar ao milhão de euros. «Estamos acima comparativamente com o mesmo período do ano anterior, mas esse objetivo de momento não é alcançável, pelo menos para este ano», admite.

Feedback real

A Mad Dragon Seeker (MDS) está presente em várias lojas multimarca e, para a próxima coleção, os artigos vão ser comercializados em mais 20 lojas, dando seguimento à vontade de «preencher a marca em todas as localidades». Para comunicar a MDS, a Top Trends aposta em campanhas, catálogos, nas redes sociais e em parcerias com influenciadores digitais que «dão retorno», adianta Daniel Simões.

Apesar de um espaço físico próprio não estar nos planos da MDS, a necessidade de saber com mais precisão aquilo que o consumidor procura deu asas ao projeto piloto de uma loja online. «Os produtos que tínhamos dificuldade em comercializar, ou seja, que os nossos clientes não compravam para colocar nas suas lojas, eram muitas vezes procurados na loja online», afirma. «A loja online dá-nos um feedback que nós não temos de forma correta, que é o que realmente o mercado e o consumidor final procuram. Não tínhamos ligação ao consumidor final. Com esse projeto começámos a ter um feedback real do que o mercado está a consumir e a procurar», elucida. «Fizemos a experiência e fiquei com a certeza que é um caminho a traçar a curto prazo», conclui o CEO.