Início Arquivo

Tradição renovada

Durante séculos, o kaftan foi a peça obrigatória do vestuÁrio feminino em Marrocos. Agora, um grupo de designers de moda marroquinos considera que é tempo de dar ao kaftan um toque moderno. A terceira edição anual da Mode Made in Morocco, organizada pela revista Maroc Premium, em Casablanca, no final de Novembro, apresentou oito designers desejosos de mostrar que moda e tradição podem coabitar em harmonia. Os designers marroquinos estão a receber cada vez mais encomendas do estrangeiro», afirmou Michele Desmottes, directora do desfile de moda. HÁ uma criatividade explosiva em Marrocos». A sua visão é partilhada pelo estilista parisiense Dominique Sirop, convidado de honra do evento. Durante três anos temos assistido a um verdadeiro ”surto” de designers marroquinos, à semelhança do que estÁ a acontecer noutros países», afirmou. O que prova que Marrocos não é só sol, tajine (prato tradicional) e kaftan». A maior parte dos modelos que desfilou na passerelle é prova de muita pesquisa e imaginação. Nos tecidos, que pareciam tradicionais, com os seus bordados e cores brilhantes, o corte era claramente contemporâneo, com corpetes e saias curtas a contrastarem com o tradicional e esvoaçante kaftan. Designers como Jamal Daoudi e Nabil Dahani ainda buscam inspiração em Marrocos mas, como trabalham em Paris, as suas criações parecem mais audazes, mais modernas, mais leves e, de facto, mais europeias. Hassan Tanner levou para casa o prémio Jean-Louis Scherrer pelos seus vestidos leves e justos – talvez os designs mais radicais que desfilaram pela passerelle da Mode Made in Morocco. As criações de Frederique Birkemeyer, sedeado em Marraquexe, foram igualmente femininas, ricas em bordados e rendilhados. O vestuÁrio masculino foi também visitado este ano na Mode Made in Morocco, com a nativa de Tangiers, Salima Salima Abdel-Wahab, a lançar dois visuais originais a anos-luz do clÁssico vestido do deserto, o djellaba. Apesar do sucesso que a moda marroquina e o evento têm gerado, os organizadores lamentaram unanimemente a falta de apoios para o desfile deste ano, tanto por parte do governo como da indústria de vestuÁrio. é tempo de acordar e encorajar o talento individual», afirma Desmottes, com Sirop a sublinhar o papel que a moda pode desempenhar no desenvolvimento económico do país». Em suma, tratou-se de um desfile que teria, certamente, agradado a Yves Saint Laurent. O lendÁrio designer francês, que morreu em Paris este ano, a 1 de Junho, com 71 anos (ver O adeus do génio da moda), manteve uma segunda casa em Marraquexe, e muitas das suas melhores criações foram inspiradas no kaftan.