Início Arquivo

Trading-up na Schoeller

Uma mudança não tem necessariamente de ser negativa, mas pode significar uma oportunidade. Esta é a convicção de Rainer Gonser, presidente-executivo da Schoeller na divisão austríaca. O grupo de fiação pertencente ao Albers-Gruppe, sedeado em Zurique, tem vindo a modificar nos últimos anos a estrutura da empresa e encontra-se hoje em dia entre as fiações de fios penteados de lã líder na Europa.

O grupo posicionou-se no segmento superior e aposta na qualidade e entrega rápida. «As importações da Ásia não são novidade, mas com a abolição das quotas a situação agravou-se ainda mais», afirma Gonser. Para poder sobreviver todas as fases do processo, incluindo a fiação, tiveram de se distanciar da oferta de produtos oriunda da Ásia. «Tanto no nosso caso como no dos nossos clientes teve lugar um trading-up». A grande oportunidade reside num fornecimento actual e rápido em pequenas unidades. É nesta estratégia que a Schoeller tem vindo a trabalhar nos últimos anos.

Adaptar-se

Tudo começou no início dos anos 90. Já em 1994, o grupo deslocalizou uma parte da sua produção para a Chechénia, criando a Schoeller Kresice. «Se a abertura da Europa de Leste não tivesse ocorrido, não poderíamos hoje fazer face aos fornecedores asiáticos», afirma Gosner. Actualmente, 350 dos 650 empregados do grupo de fiação trabalham na Chechénia. «Só conseguimos manter a logística na Áustria e na Alemanha, porque tínhamos deslocalizado a produção. Actualmente, 95 por cento da produção, sobretudo no que diz respeito aos fios, tem lugar em Kresice, onde se faz também o tingimento e junção de fios.

 

O grupo pôs, simultaneamente, em marcha um processo de concentração. Através da fusão de várias unidades de produção, eliminou o excesso de capacidade de produção. A última unidade alemã, em Eitorf, foi encerrada este Verão. A Schoeller Eitorf GmbH & Co, da qual Rainer Gosner também é presidente, ocupa-se hoje em dia da comercialização e logística. Na cidade austríaca de Hard, a tinturaria aumentou a sua capacidade nos últimos meses para 40 por cento e a força de trabalho foi alargada. Através destas adaptações estruturais, o grupo afirmou-se como um produtor europeu de produtos de valor acrescentado muito mais flexível.

Eixo principal

A grande diversidade de produtos foi igualmente responsável pela sobrevivência do grupo, que no ano fiscal de 2004/05 (31.3) atingiu cerca de 70 milhões de euros. Os seus segmentos principais são as malhas rectilíneas, meias e vestuário outdoor, no qual a Schoeller é líder mundial, contando com clientes como a Basler e a Escada. Estes três tipos de segmentos são responsáveis por 60 por cento do volume de negócios. Vinte por cento tem origem nos denominados fios tradicionais e também nos fios de alta-performance que incluem a marca Polycolon, utilizada por exemplo utilizado na roupa interior funcional da Falke, assim como nos fios técnicos para o sector automóvel. Outros vinte por cento do volume de negócios vem dos fios para tricotagem manual com as marcas Austermann e Schoeller + Stahll, que a empresa comercializa sobretudo na Europa de Leste, Turquia e Itália. A distribuição destes fios é da responsabilidade da filial totalmente autónoma, Schoeller Süssen GmbH. Os fios da Schoeller + Stahl são distribuídos através do retalho e também de um agente exterior próprio. Para a marca premium Austermann vai ser implementado um novo conceito, Austermann Editionen, que inclui seis datas de entrega anuais e será distribuída exclusivamente no comércio especializado.

A fatia actual de exportações de 42 por cento, em que a Alemanha e a Áustria são considerados como mercados internos, deverá crescer no próximo ano. Os mercados de exportação mais importantes são a França, Itália e Escandinávia. Em exploração está a Turquia, e a empresa reconhece ainda um grande potencial na Rússia.

 

De acordo com Gonster, «as restantes fases do processo precisam igualmente de sofrer um trading-up se o objectivo das empresas é concorrer com os asiáticos. A fiação de fios de lã penteados é um nicho de mercado que requer muito investimento». Esta é a razão pela qual é necessário traçar muito bem os caminhos futuros desde o início, uma vez que «uma fiação de fios de lã penteados não se pode deslocalizar de um momento para o outro para um país onde a produção é mais rentável».