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Transição no vestuário – Parte 1

Os produtores de vestuÁrio de todo o mundo estão a beneficiar com a subida no valor da moeda chinesa. Mas de acordo com Mike Flanagan, director-executivo da empresa de consultoria Clothesource Sourcing Intelligence, este surto de optimismo é totalmente descabido, pois acredita que qualquer fuga de encomendas da China serÁ apenas temporÁria. HÁ, actualmente, cenÁrios bastante diferentes entre os países fornecedores de vestuÁrio. Na China, o governo e muitas das empresas estão seriamente preocupados porque a produção de vestuÁrio e têxteis parece estar em queda. A preocupação é tal que a China não só restabeleceu completamente os descontos nas taxas aplicadas sobre as exportações de vestuÁrio e têxteis, como também emitiu uma circular a congelar os aumentos nos salÁrios mínimos, suspendeu os depósitos nas importações de matérias-primas, deu orientações às empresas de propriedade estatal para não despedirem trabalhadores e insistiu que o subsídio de desemprego deve ser utilizado na formação do pessoal enquanto ainda estão no trabalho (também conhecido como subsidiar salÁrios). Entretanto, enquanto se preocupa com a perda de empregos, a quota da China nas importações de vestuÁrio dos EUA bateu o recorde de todos os tempos em Setembro. E o seu mercado doméstico de retalho de vestuÁrio (que absorve a maior parte da sua produção) cresceu 20% em Outubro, depois de vÁrios meses com um crescimento anual próximo dos 30%. Na Turquia e no Bangladesh, após meses de pessimismo, alguns dos seus porta-vozes estavam positivamente triunfantes em meados de Novembro. O Bangladesh anunciou que as suas exportações de vestuÁrio de malha cresceram uns extraordinÁrios 45% entre Julho e Setembro em relação ao ano anterior, com diversas das suas maiores empresas praticamente a recusarem clientes. Na Turquia, Jak Eskinazi, presidente da EHKIB, revelou que as encomendas da Europa começaram a aumentar em Outubro. Eskinazi prevê que as exportações continuem a subir em Dezembro e Janeiro, à medida que os retalhistas europeus, afectados pela crise financeira, deixam de comprar em grandes quantidades e orientam as encomendas da China para a Turquia. Mas as fÁbricas turcas têm vindo a encerrar ao longo de todo o ano, resultando em drÁsticos cortes no número de trabalhadores. Na maioria dos países, a imagem tem sido basicamente simples ao longo do ano: grande parte dos exportadores de vestuÁrio ficou mais pessimista com o sucessivo cancelamento de encomendas, com alguns clientes que não pagaram e com encomendas futuras que não se materializaram. Mas também houve um bizarro surto de optimismo. Muitos daqueles que implantaram fÁbricas na China estão a começar a mudar-se devido ao seu elevado custo laboral. Os descontos à exportação também foram abolidos e, neste momento, existe falta de trabalhadores», afirmou George Sly das Filipinas, argumentando que até 500 milhões de dólares poderão ser investidos em fÁbricas de vestuÁrio nas Filipinas à medida que as empresas saem da China. O sector de vestuÁrio do Camboja não serÁ seriamente afectado pela crise financeira mundial», revelou o primeiro-ministro cambojano Hun Sen, em Novembro, acrescentado que neste momento, acho que não houve um forte impacto no sector de vestuÁrio». Poucos cambojanos concordarão com esta perspectiva – apesar de um dirigente sindical ter admitido que 35 fÁbricas de vestuÁrio fecharam no Camboja este ano, referindo que os encerramentos de fÁbricas foram causados pela retirada de alguns investidores que saíram, para evitar conflitos jurídicos sobre questões laborais com os trabalhadores». Na segunda parte deste artigo, vamos analisar cada um dos casos em separado.