Início Arquivo

Tribunal de Gaia pode encerrar Vissuto

Os cerca de 400 trabalhadores da empresa têxtil Vissuto, de Paredes, podem vir a ser despedidos devido a um despacho do Tribunal de Gaia. Através de uma investigação da TSF e do «Jornal de Negócios», sabe-se que a decisão judicial poderá obrigar a Vissuto a devolver as suas instalações a um antigo sócio da empresa. Este parece ser um processo complicado, pois diz respeito a uma estratégia de fuga a execuções fiscais de duas empresas que vieram dar origem à Vissuto, ameaçando não só os vários postos de trabalho mas, também, o próprio futuro da empresa que em 2002 facturou cerca de dez milhões de euros. Segundo apurou a TSF e o Jornal de Negócios, este caso remonta a 1989, altura da criação da Fucsia – Confecções de Vestuário, que três anos depois deixa de pagar as suas obrigações devido a dificuldades financeiras. Os então proprietários, Fernando Machado e Manuel de Sousa, trespassam o património da Fucsia para três pessoas de confiança, tentando escapar ao fisco, que já tinha recorrido aos tribunais para receber as dívidas. Em 1993 nasce a Sanremo, que funcionava nas mesmas instalações, com os mesmos trabalhadores e com o mesmo equipamento da Fucsia. Esta nova empresa também não duraria muito tempo, e cinco ano depois é criada a Vissuto, por uma decisão de credores. O Tribunal de Gaia aceitou agora, como verdadeiros, documentos que comprovam a existência de um contrato-promessa de trespasse no valor de 250 mil euros e ordenou a restituição do edifício da empresa. Entretanto, o actual proprietário da Vissuto, Fernando Machado, disse à TSF que nunca foi ouvido pelo Tribunal, contestando assim a veracidade das provas que foram apresentadas, considerando ainda que tudo não passa de uma manobra do antigo advogado da empresa que aparece a reclamar a restituição do edifício, em nome do antigo sócio. «Como proprietário desta empresa nunca vendi e os substitutos que estiveram na outra empresa, aqui, nunca compraram. Nem houve uma venda, nem houve uma compra». O proprietário da empresa critica ainda o procedimento formal do Tribunal de Gaia, pois «pôr pessoas na rua, não por falta de trabalho, não por falta de saúde da empresa, é muito difícil de explicar. Penso que não há dúvidas e os trabalhadores vão querer uma explicação. Espero que tome uma medida sobre isto. Para mim vai ser muito difícil explicar aos trabalhadores», referiu. Os advogados da Vissuto já recorreram da sentença, mas o tribunal manteve a decisão que poderá significar o encerramento da empresa têxtil.