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Trillenium a três dimensões

A Trillenium estreia-se na criação de lojas virtuais para marcas que pretendem conjugar a experiência de compras real com a conveniência do comércio eletrónico em smartphones e computadores.

Hrvoje Prpic vagueia por entre as prateleiras de numa boutique de moda, escolhendo um novo acessório. Porém, ele não está corporalmente na loja. Ele está sentado num moderno café londrino e utiliza um dispositivo de realidade virtual, que acredita que poderá ser o futuro das compras online.

Prpic é o fundador da Trillenium, uma start-up que cria lojas virtuais para marcas que pretendem associar a experiência de compras quotidiana e os benefícios do e-commerce.

Os clientes podem visitar a loja virtual, focando o seu olhar nos produtos, visualizar itens de diferentes ângulos e socializar com os amigos on-line, dando vida a uma indústria e-commerce atualmente dominada por caixas de pesquisa e imagens estáticas.

«A experiência atual é muito estéril. Pelo que, se eles melhorarem a experiência, os clientes poderão demorar-se mais, despender um pouco mais de tempo em linha explorando produtos, porque se podem aproximar deles, e compra mais», disse Dave Evans, diretor comercial da Kantar Retail Virtual Reality, que usa tecnologia de realidade virtual para ajudar os retalhistas a desenvolver lojas reais.

A Trillenium espera capitalizar o lançamento de headsets de realidade virtual no próximo ano, destinados ao mercado de consumo, como o Occulus Rift do Facebook e Cardboard do Google.

Considerando o aumento esperado de 64% das vendas a retalho on-line britânicas até 2020, totalizando 71,2 mil milhões de libras esterlinas, de acordo com investigadores da Mintel, a Trillenium acredita que diversas empresas procurarão melhorar os seus negócios online.

Entretanto, conseguiu já atrair a atenção de um dos maiores retalhistas on-line da Europa, a ASOS, cuja vertente de capital de risco detém uma participação de 9%, bem como o tenista britânico Andy Murray, que investiu através da plataforma de angariação de fundos Seedrs.

Prpic, que já dirigiu uma cadeia de computadores de retalho na Croácia e investiu em diversas start-ups, acredita que a tecnologia da Trillenium será particularmente apelativa para o público feminino.

«As mulheres gostam de descobrir», disse. «A forma como as mulheres gostam de fazer compras assenta no facto de elas quererem ver alguma coisa, encontrar algo na prateleira que ninguém tenha visto antes».

A Trillenium está, atualmente, a trabalhar numa demo para a ASOS, que será lançada no final deste ano, e Prpic ambiciona que pelo menos metade dos 88 milhões de utilizadores únicos da ASOS adiram ao serviço.

Diversas marcas que figuram no site da ASOS poderão pagar para apresentar os seus produtos na loja virtual construída pela Trillenium. Uma versão mais limitada, sem a oferta 3D completa fornecida pelos óculos, estará disponível em smartphones e computadores.

A tecnologia ainda está numa fase inicial, mas Prpic acredita que será adotada por outras empresas nos próximos anos.

«Nós temos alguns clientes que estão interessados em ter a Trillenium, mas estamos apenas concentrados no maior por agora. Pelo que há, talvez, três ou quatro nomes que queremos ter, mas não mais do que isso», disse ele.

A Trillenium angariou 335.000 libras esterlinas através do Seedrs, até ao momento, bem como dois investidores, pelo que espera arrecadar um valor adicional de 1,8 milhões de libras em fundos separados de capitalistas de risco.

Em três anos, Prpic espera lançar um serviço de plataforma múltipla, através do qual os clientes podem construir e personalizar as suas próprias lojas, tendo por base um modelo.

«Este é o objetivo final», disse ele.