Início Notícias Moda

Troca de alianças no Bloom

Eduardo Amorim, designer que integra as tropas da plataforma Bloom do Portugal Fashion, comprometeu-se, na mais recente edição do certame, com a joalheira Joana Santos. A dupla viajou até aos anos 1990 e recontou a década numa união entre vestuário e joalharia.

Foto Ugo Camera

“Seattle Mess” – assim foi batizada a coleção de homem e mulher do jovem designer para a primavera-verão 2017 – retomou a rebeldia da subcultura grunge dos anos 90, sem por isso deixar de lhe injetar uma «onda» muito pessoal.

«Houve alguns looks que não têm essencialmente a ver com o grunge, mas que recorrem aos anos 1990. A nível de materiais, por exemplo, tentei afastar-me dos clássicos, das camisas felpa e da malha muito tricotada», explica Eduardo Amorim ao Portugal Têxtil sobre uma coleção que se pinta com uma paleta de ocres, rosa-velho e tons de chá e apresenta gabardines encapuzadas e híbridos casaco/calça de estética simultaneamente «agressiva, confortável e mundana».

Ele próprio um produto dos “nineties” – Eduardo Amorim nasceu em 1992, em Santa Maria da Feira – o revivalismo da época passou ainda pelas silhuetas oversized e pelos tingimentos pontuais.

«Trabalhei as peças largas, principalmente as partes de baixo, fiz alguns tingimentos, que também são uma parte do grunge», continua o designer que integra os desfiles da plataforma Bloom desde 2014.

Ainda assim, faltavam capítulos à história que Eduardo Amorim queria contar em passerelle. Para o conseguir, este juntou o seu vocabulário na área do vestuário ao léxico de Joana Santos na joalharia.

«Este ano, preocupei-me não só com o look da roupa, mas com o look total», analisa o jovem designer.

Para a passerelle erguida no Palácio dos CTT, no Porto – que de resto garantiu a autonomia à plataforma de talento emergente do Portugal Fashion (ver Moda da ocidental praia lusitana) – houve acessórios (onde não faltaram as chokers reinterpretadas, uma das maiores referências da década) tão rebeldes quanto os coordenados.

«As peças foram feitas especialmente para o Eduardo Amorim. Ele falou-me do conceito da coleção, das ideias que pretendia transmitir e fomos falando e acertando os pormenores», recorda Joana Santos ao Portugal Têxtil sobre a tarefa de verter um conceito pensado para o vestuário, para a joalharia. «Foi preciso dar alguns passos atrás até chegarmos a um resultado de que gostássemos os dois», completa.

A designer de 30 anos que se estreou nos bastidores de um desfile, acredita que pode estar na moda a melhor montra para a joalharia de autor.

«Nós estamos numa nova era da joalharia em Portugal, começa a surgir muita joalharia de autor e é nessa área que eu me pretendo inserir. Se é pelo lado da moda? Sim, acho que é por aí. Não é pelo lado da ourivesaria tradicional», afirma.

A par da parceria firmada com Joana Santos, o desfile das propostas dedicadas à primavera-verão 2017 de Eduardo Amorim contou ainda com os óculos de sol da marca portuguesa de eyewear Darkside, voltando a sublinhar a importância de um look total coeso e, também, voltado para as vendas.

«Começo a fazer peças mais comerciais. Agora tenho de apostar em formas de vender», destaca Eduardo Amorim, que acredita que a maioria das peças propostas – com particular destaque para os jeans de silhueta baggy – pode ser perfeitamente usável por «um homem desportivo».

Investido na frente comercial da marca, o jovem designer avançou ainda ao Portugal Têxtil uma importante novidade.

«Estou a pensar em abrir uma loja própria no Porto, fazer essa experiência, ainda este ano», desvenda. A loja própria virá assim juntar-se à Scar-iD e à Ivo Maia, as duas lojas no norte do país onde podem ser encontradas as propostas do jovem designer formado pela Escola Superior de Artes e Design de Matosinhos (ESAD).