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Troficolor dá passo em frente com Upcycling

Matérias-primas orgânicas e recicladas já faziam parte da oferta, mas a especialista em tecidos denim decidiu inovar na nova coleção e acrescentar uma linha Upcycling, que está a ganhar a preferência dos clientes, cada vez mais atentos às questões ambientais.

Carlos Serra

Vintage e sustentável são dois adjetivos que, cada vez mais, assentam na perfeição na estratégia da Troficolor. «Há cerca de cinco anos que trabalhamos os orgânicos. Depois as marcas perceberam também que era importante pensarmos na reciclagem e começou a aparecer uma segunda vaga com reciclados, onde também estamos, quer com algodão reciclado, quer com poliéster reciclado», revela o CEO Carlos Serra.

O passo seguinte surgiu agora, com a nova coleção, que apresenta uma linha Upcycling. «Esta nova solução, no fundo, é uma prática da Troficolor já há muitos anos, de reutilização dos materiais», assegura, acrescentando que é algo transversal à atividade da empresa. «Começou com a ocupação do próprio espaço onde estamos, que já existia e do qual não apagamos a sua história. Fizemos a inauguração do showroom no ano passado e aproveitámos tudo o que eram secretárias, cadeiras, ferros,… uma série de coisas que tornou o espaço como um enquadramento do nosso conceito, que é também a nossa linguagem vintage», explica ao Portugal Têxtil.

Padrões, cores, estruturas e acabamentos foram recuperados para criar esta coleção Upcycling. «Trata-se de dar vida nova a tecidos que já existiam e a outros que pensámos que podiam ser interessantes e que adquirimos», afirma Carlos Serra. «Há clientes que pedem riscas. Porque é que vou fazer o desenvolvimento de riscas se conseguir entrar no nosso espaço logístico e encontrar ali um número significativo de tecidos com um enquadramento perfeito naquilo que é a tendência de moda?», questiona.

Além da questão da sustentabilidade, uma vez que já foram produzidos e, como tal, não há uma pegada ambiental adicional com uma nova coleção, «os tecidos têm a particularidade de, na maior parte deles, não serem reproduzíveis, ou seja, são únicos. O cliente, além de estar a comprar algo sustentável, está a comprar exclusividade», sublinha. Além disso, as vantagens estendem-se ao próprio preço. «A ideia surgiu não por causa do preço mas pelo princípio da sustentabilidade», admite o CEO. Contudo, «acabou por ser tornar uma vantagem clara para o cliente, que vai comprar um tecido de moda com um preço mais simpático do que o preço normal, dado a sua exclusividade», reconhece.

Argumentos que têm conquistado os clientes da Troficolor. «Houve uma aceitação muito boa do conceito», confirma Carlos Serra, que garante que o interesse por artigos sustentáveis está a aumentar rapidamente. «Se tivermos em conta as solicitações, por exemplo, desta última coleção, incluindo a linha Upcycling, representa seguramente entre 50% a 70% dos pedidos. Mas isto são solicitações, podem não se materializar em volume de negócios», esclarece.

Crescer no serviço

A empresa, que tinha já diversas certificações na área da sustentabilidade, incluindo GOTS (Global Organic Textile Standard) e GRS (Global Recycled Standard), está a acrescentar o algodão BCI (Better Cotton Initiative) à sua oferta de artigos sustentáveis, que têm maior procura junto dos países nórdicos.

Com 30% de exportação direta e 55% de exportação indireta, através de confecionadores portugueses, a Troficolor espera acabar 2019 em linha com os anos anteriores, depois do abrandamento sentido no segundo trimestre. «Os primeiros três meses correram lindamente, com um crescimento pouco expectável para aquilo que se falava no mercado. Depois houve um abrandamento até junho e desde julho que voltou a acelerar», descreve o CEO, que aponta, entre os fatores que estão a influenciar a evolução do mercado, as alterações climatéricas. «As marcas estão a demorar a ajustar-se aos timings das coleções em função do fator tempo. No ano passado, em outubro, estávamos a fazer praia e este ano em maio ainda estava chuva e frio. Isso faz com que os timings com que se colocam as encomendas estejam alterados», indica.

A meta da Troficolor a longo prazo, de resto, não está fixada nos números. «O nosso grande objetivo não é o que faturamos, é o serviço que damos ao nosso cliente. É proporcionar o melhor serviço ao cliente e fidelizá-lo, procurar ir sempre ao encontro daquilo que são as suas solicitações. E aí temos melhorado e estamos a crescer», conclui Carlos Serra.