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Troficolor investe na qualidade

A especialista em denim está a criar um laboratório interno para realizar alguns dos testes de qualidade dentro de portas, ao mesmo tempo que se mostra empenhada em estreitar laços com os clientes e reforçar a posição nos mercados mundiais.

Desde a sua génese que a qualidade esteve no centro das preocupações da Troficolor. A empresa familiar, que atualmente conta com clientes que vão da Zara à Max Mara, tem um controlo rigoroso de qualidade, garante o atual administrador Carlos Serra, acompanhando de perto o processo de produção das suas coleções de tecido denim e recorrendo a instituições como o Citeve e outros parceiros na realização de testes de qualidade. Agora, está a investir num laboratório interno.

«A qualidade é uma área que tem merecido da nossa parte, nos últimos dois anos, uma atenção muito particular, na forma como controlamos toda a mercadoria que mandamos produzir, quer seja a montante, nas próprias fábricas, quer seja depois, internamente. Criámos um departamento, com um laboratório interno, que estamos a acabar de montar. Já fazemos testes há muito tempo, mas alguns ensaios mais básicos, para não estarmos dependentes, queremos realizar internamente», explicou Carlos Serra, na edição de janeiro do Jornal Têxtil.

A empresa, que em 2016 celebra 60 anos de atividade, produz as suas coleções um pouco por todo o mundo. «Definimos quais são os produtos que queremos na coleção e fabricamos esses produtos, um pouco a exemplo do que faz a Apple. Mandamos produzir em diversos países: China, Índia, Turquia,…», revela o administrador, que desmistifica a ideia de que as empresas chinesas não produzem com qualidade. «Eles têm uma capacidade de produção fabulosa – vão engolir o resto do mundo. Não tenho dúvidas. Em termos de capacidade técnica e a nível de máquinas, estão muito bem preparados», garante, após a realização de visitas a unidades produtivas no país.

Para além de ser um fornecedor, o chamado Império do Meio é também um mercado para a empresa, com a Troficolor a vender especialmente para marcas chinesas que buscam produtos diferenciados, com acabamentos especiais. «Procuramos servir o mercado com aquilo que ele não possa ter com tanta facilidade», justifica Carlos Serra.

Itália, Alemanha, Espanha, França, Inglaterra e, cada vez mais, o Japão são, contudo, os principais mercados da Troficolor, que imbuída do espírito globetrotter está a expandir-se também nos EUA. «O Japão, a China e os EUA são mercados que requerem alguma paciência», sublinha, no entanto, o administrador.

Com clientes espalhados por todo o mundo, a empresa – que tem uma quota de exportação de 90% (30% direta e 60% indireta) – decidiu ainda fazer um acompanhamento mais próximo, especialmente nos mercados europeus. «Contratámos uma pessoa para fazer o follow-up com os agentes no terreno, para fazer visitas regulares aos clientes e não estarmos numa dependência tão excessiva do agente», afirma Carlos Serra ao Jornal Têxtil, acrescentando que o principal objetivo da Troficolor, cujo volume de negócios rondou os 5 milhões de euros em 2014, é atualmente «consolidar os mercados que temos».