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Tunísia aumenta salários

Um acordo coletivo entre associações empresariais e sindicatos levou a um aumento dos salários da indústria têxtil, de vestuário, couro e calçado em novembro, que será reforçado novamente em maio deste ano. Uma situação que, acreditam, deverá aumentar a atratividade dos sectores e não prejudicar a competitividade da Tunísia.

[©International Trade Centre]

O acordo salarial para o sector do vestuário na Tunísia foi fechado em novembro de 2021 pela Fédération Tunisienne du Textile et de L’Habillement (FTTH) e pela Fédération Générale du Textile, de l’Habillement, Chaussure et Cuir (FGTHCC), ambas ligadas a sindicatos. Como resultado, mais de 150 mil trabalhadores dos sectores têxtil e vestuário receberam um aumento de 6,5% do salário, com efeitos retroativos para setembro, com o compromisso de um novo aumento de 7% a partir de maio de 2022.

O vice-presidente da FTTH, Nafaa Ennaifer, indica que o objetivo é «estabilizar o poder de compra [dos salários], em vez de o apoiar ou aumenta». Um dos motivos para este acordo foi o facto de, desde 2016, o dinar tunisino ter perdido 60% do valor em comparação com o euro e o dólar, o que impulsionou a competitividade das exportações, mas tornou os produtos importados mais caros para os trabalhadores, refere um artigo do Just Style.

Isso levou os sectores industriais do país, incluindo as áreas da mecânica e da eletricidade e eletrónica, a aumentar os salários para conseguirem recrutar trabalhadores, o que consequentemente incitou a indústria têxtil e vestuário a rever o valor pago aos seus colaboradores. «Não podemos estar isolados do declínio no poder de compra e dos aumentos que possam acontecer noutros sectores. Por isso, para preservar o emprego no sector e manter a sua atratividade, a indústria têxtil vê-se obrigada a atualizar os salários», justifica Ennaifer ao Just Style.

Monir Hassin, que faz parte do conselho de administração do Forum Tunisien pour les Droits Economiques et Sociaux (FTDES), concorda, afirmando que o aumento deve «manter a estabilidade» para a indústria, tendo em conta a desvalorização do dinar tunisino. Contudo, sublinha em declarações ao Just Style, que o salário médio mensal de uma costureira é de agora 550 dinares (cerca de 170 euros), que é ainda baixo tendo em conta o elevado custo de vida na Tunísia. Por isso, qualquer aumento irá promover boas relações industriais, acredita.

Dificuldades vs. oportunidades

Nafaa Ennaifer adverte, no entanto, que embora empresas maiores (sobretudo dos segmentos de denim e vestuário de trabalho, que são os mais fortes do país) tenham capacidade para lidar com estes aumentos, os negócios mais pequenos e subcontratados podem sentir dificuldades, especialmente porque enfrentaram problemas causados pela pandemia de covid-19. Um problema para as empresas mais pequenas é que não têm um grande sector doméstico como apoio se o aumento dos custos reduzirem a procura externa – a população da Tunísia é de apenas 11,8 milhões de pessoas. A concorrência da Turquia por vendas neste mercado é um problema concreto, destaca o vice-presidente da FTTH.

[©International Trade Centre]
Habib Hazami, secretário-geral da FGTHCC também concorda que grandes empresas internacionais irão lidar com o aumento dos preços e que irão beneficiar de uma força de trabalho mais motivada. Quanto às empresas mais pequenas, espera que um aumento do negócio, através de marcas europeias, sobretudo da Alemanha, França, Espanha e Itália, que estão a escolher a Tunísia pela proximidade numa altura em que estão empenhadas em diversificar o sourcing com o fim da pandemia. Hazami considera que o acordo salarial foi um resultado positivo de «negociações coletivas para garantir o equilíbrio nos sectores dos têxteis, vestuário, couro e calçado». Análise, explicação e persuasão «levou à conclusão que temos de aplicar este aumento pelo melhor interesse do sector e dos seus trabalhadores», conclui.