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UBI à altura da indústria

Tanto no ensino como na investigação, a Universidade da Beira Interior tem-se equipado com as mais recentes tecnologias para responder às necessidades da indústria e dos estudantes, que cada vez mais se sentem atraídos pela oferta da instituição.

Manuel Santos Silva

É pelo ensino do têxtil e da moda com os olhos, e as mãos, na prática que a Universidade da Beira Interior (UBI) se tem destacado, assumindo-se como a parceira natural das empresas da região para recrutarem novos quadros ou desenvolverem novos projetos. «Costumo dizer que existe um modelo pedagógico que é o modelo da Covilhã. E o primeiro foi o têxtil. Desde o início temos uma forma de estar que é inspirada em Manchester e em Mulhouse, que é aprender fazendo», explica Manuel Santos Silva, um dos primeiros responsáveis pelo ensino têxtil na universidade beirã, reitor da UBI entre 1996 e 2009 e atual coordenador científico da unidade de investigação FibEnTech – Materiais Fibrosos e Tecnologias Ambientais. «E quando começámos a desenhar o departamento têxtil, o propósito era termos uma fábrica completa cá dentro. E temos», afirma ao Jornal Têxtil.

É esta atenção à tecnologia e à vertente prática do ensino que tem cativado os alunos (ver O renascer da engenharia têxtil na UBI). «Sinto-me como se estivesse já a trabalhar numa unidade industrial de confeção graças às tecnologias de que dispomos e aos professores e técnicos que nos apoiam», admite Beatriz Gabriel, aluna do Mestrado em Design de Moda. «O que tenho aprendido aqui superou as minhas expectativas mais elevadas», reconhece a colega Sara Monteiro.

Eduardo Jesus, Sara Monteiro e Raquel Luzes

O envolvimento da universidade é total, com professores e técnicos a procurarem incentivar a descoberta de todas as tecnologias que podem, no futuro, facilitar a introdução no mercado de trabalho. «Estes alunos fazem parte de mim e espero sempre estar à altura das expectativas deles», confessa Lucinda Matias, técnica da Oficina de Confeção. «Procuramos fomentar a inovação nestes jovens estudantes, mas acabamos também por aprender muito com os desafios que nos lançam», assegura, por seu lado, Eduardo Jesus, técnico da Oficina de Malhas, enquanto apoia Raquel Luzes, também aluna do Mestrado em Design de Moda, que está a desenvolver uma linha de casualwear em malha. «O projeto é muito trabalhoso, mas é o que me preenche mais», garante a aluna. José Machado, técnico na unidade de tinturaria, coloca ainda um número nesta praticidade do ensino: «reproduzimos mais de 700 cores por semestre».

Lucinda Matias e Beatriz Gabriel

Além destas oficinas, a universidade conta também com um laboratório de biotecnologia (ver Parcerias abrem novos horizontes na UBI) e um laboratório CAD, onde é possível encontrar os equipamentos mais avançados. «A estamparia digital veio revolucionar o ensino aqui», considera Viviana Silva, técnica do laboratório CAD. A investigação está igualmente muito direcionada para a sua aplicabilidade industrial. «Julgo que as unidades de investigação têm que ter a preocupação de fazer investigação não apenas e só pela investigação, mas fazer investigação que crie valor na fileira industrial. Provavelmente produzimos menos papers a metro, mas temos ligação com empresas, produzimos ou ajudamos a produzir riqueza», sublinha o coordenador científico do FibEnTech.

José Machado com estudantes

Prova disso têm sido os projetos desenvolvidos no âmbito desta unidade de investigação, como o U.make.ID. Com financiamento do Portugal 2020, o U.make.ID  teve como promotor a empresa de engenharia e software Pictónio, de Aveiro, e como copromotor a UBI. «O projeto consistiu no desenvolvimento de uma plataforma de sourcing B2B, online, em que o objetivo é facilitar a comunicação entre os players da indústria têxtil e vestuário, nomeadamente os fabricantes, os fornecedores, as marcas e também os designers em nome individual», elucida Benilde Reis (ver Design de moda a mudar o mundo), que foi bolseira neste projeto.

Em curso está outro projeto, inserido no projeto mobilizador TexBoost, que tem a Fitecom como promotora e pretende «desenvolver aplicações mais tecnológicas para fibra de lã, nomeadamente ir ao encontro de vestuário para atividades de lazer, atividades ao ar livre de baixo impacto», revela Rui Miguel, presidente do DCTT (ver «Tudo o que fazemos é a pensar nas empresas»). Projetos que mostram o envolvimento com o tecido empresarial que, contudo, «não é, nem nunca foi, fácil», assume Manuel Santos da Silva. A missão para o futuro é continuar a formar pessoas para responder às necessidades e continuar «esta aproximação entre o saber e o mundo real» que a UBI tem promovido desde a sua génese.

Viviana Silva com estudantes