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UE e Índia tentam chegar a um acordo têxtil

A União Europeia e a Índia não chegaram a acordo na semana passada sobre a remoção das tarifas no vestuário europeu. Os exportadores indianos de vestuário temem agora a concorrência por parte dos fabricantes de roupa paquistaneses, que têm entrada na UE livre de tarifas. O primeiro round de negociações em 2002 foi levado a cabo em Bruxelas. Os representantes do comércio europeu tornaram bem claro que não poderão dar o mesmo tratamento que foi oferecido ao Paquistão. Alguns países membros da UE aprovaram a remoção das tarifas impostas aos produtos paquistaneses na condição de estender o negócio a outros países exportadores, como a Índia. Para além disso, a remoção de todas as tarifas foi possível incluindo o Paquistão na lista de países que beneficiam do Sistema Generalizado de Preferências (SGP) da União Europeia. Sob o regime SGP, os países exportadores gozam de uma substancial redução nas tarifas europeias, ou até mesmo de entrada livre. Contudo, o Paquistão não é pobre o suficiente para beneficiar do regime de SGP e Bruxelas usa um subterfúgio, incluindo o Paquistão na lista de países que lutam contra a droga e por isso têm direito ao regime de SGP. Este incentivo foi criado para benefício dos países da América latina e surpreendentemente estendeu-se ao Paquistão. Os negociantes comerciais indianos na passada semana, tornaram claro que Nova Deli poderá processar a UE na OMC pelo facto de terem estabelecido tal cláusula. Contudo, isto pode ser um longo caminho e os exportadores indianos de vestuário precisam rapidamente de um incentivo. Em troca de uma redução nas tarifas ou de um aumento das quotas, a UE quer que a Índia baixe progressivamente as suas próprias taxas de importação. Espera-se que por isso os representantes indianos voltem a Bruxelas num futuro próximo para rapidamente chegarem a acordo. O Concelho de Promoção para o Vestuário Indiano (AEPC) adiantou esta semana que as exportações indianas de vestuário desceram cerca de 6%, para 3.56 mil milhões de euros durante o período compreendido entre Abril de 2001 e Janeiro de 2002. Em termos de volume (número de peças), os carregamentos aumentaram 2.67% como claro sinal que os preços caíram substancialmente. As exportações para a União Europeia desceram 1.95% em termos de valor durante este período, aumentando cerca de 0.91% em termos de volume. Contudo, em Janeiro, os carregamentos para a Europa sofreram um ressalto, com um aumento de 6.83% em termos de valor e um crescimento de 7.8% no que respeita a volume.