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UE elimina quotas – Parte 2

Com o novo sistema de dupla monitorização previsto para 2008 (ver primeira parte da notícia no Portugal Têxtil), as quotas de importação que ainda subsistem sobre alguns produtos chineses serão eliminadas. No entanto, as questões comerciais entre os dois blocos não se resumem ao volume das importações, mas incorporam questões fundamentais como o novo sistema europeu para o controlo de substâncias (Reach) e a moeda chinesa.De acordo com Bill Lakin, director-geral da Euratex (European Apparel and Textile Organisation), o sistema de dupla monitorização é actualmente a melhor abordagem. Questionado sobre se a Europa poderia esperar uma nova subida nas importações da China, Lakin considera que tal não deve acontecer, acreditando que os chineses também não estão interessados nesta situação. à semelhança da opinião expressa por alguns responsáveis industriais, o director-geral da Euratex considera que o crescimento das importações chinesas a registar ao longo de 2008 será limitado.As exportações chinesas de têxteis e vestuário para a UE cifraram-se nos 19,3 mil milhões de dólares ao longo dos primeiros oito meses do ano, registando uma subida de 0,88 por cento em relação a igual período de 2006. Esta situação é consubstanciada pelo facto das actuais quotas permanecerem com uma taxa de ocupação de 20 por cento ou menos do total das exportações permitidas.Do lado da China, de acordo com o divulgado por diversas agências noticiosas, os responsáveis industriais acolheram de bom grado a eliminação das quotas, mas referem que a UE pode fazer mais. Sun Huaibin, director do China National Textile and Apparel Council, espera que a UE esteja mais aberta à transferência de tecnologia e fomente a cooperação ao nível de marcas e da construção da rede de distribuição. Face à actual taxa de ocupação das quotas ainda em vigor, Sun acredita que após a eliminação das actuais restrições, não deverá ser registado um grande aumento nas exportações.Sun apelou também à UE para ser mais paciente com os produtores chineses que se esforçam por cumprir as regras ao nível de produtos químicos e outros requisitos técnicos. Referindo-se aos regulamentos impostos pelo Reach, Sun Huaibin afirma que determinados critérios técnicos que a UE adoptou poderão representar um novo entrave à liberalização do comércio.O Reach foi adoptado pela UE no dia 1 de Junho do corrente ano, estando previsto o registo desde esta data e até 2018 de cerca de 30.000 substâncias fabricadas ou importadas para a UE, desde que as suas quantidades ultrapassem o volume de 1 tonelada por ano. O objectivo é eliminar as substâncias mais nocivas.Em simultâneo com esta decisão, nos dias 8 e 9 deste mês, os ministros das finanças europeus reuniram-se para apelar a Pequim a apreciação da sua moeda, o yuan. A China é acusada de manter a moeda a um nível artificialmente baixo com o intuito de aumentar a sua vantagem competitiva na exportação. Esta situação favorece indirectamente a apreciação do euro, prejudicando as exportações comunitárias. De acordo com o divulgado pela France Press, está prevista até ao final do ano uma visita, à China, dos principais responsáveis económicos na zona euro, nomeadamente: Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Juncker, do Eurogroupe, e Joaquin Almunia, comissário europeu para os assuntos económicos.Diversos exportadores de têxteis, fundamentalmente os focalizados no mercado europeu, aguardavam uma indicação governamental, à medida que o principal evento comercial da China, a feira de Cantão, tem inicio esta semana. Diversos compradores norte-americanos e europeus colocam as suas encomendas para o ano seguinte nesta feira, pelo que uma nova regulamentação pode afectar estas encomendas.Os importadores europeus acolheram de bom grado esta decisão, mas com alguma cautela. De acordo com Stuart Newman, porta-voz da Foreign Trade Association (FTA), associação que representa os importadores europeus, o sistema de dupla monitorização vai colocar encargos administrativos nos membros da associação, assim como nos importadores e retalhistas. Newman refere que a introdução deste sistema de monitorização é, pelo menos, uma opção melhor do que a manutenção das quotas de importação.Newman refere ainda que vai avisar os membros da FTA para não adquirirem os produtos da China todos de uma só vez, procurando encontrar alternativas para evitar a escalada das importações. O porta-voz da FTA sustenta também não acreditar que o sistema de monitorização possa afectar o fluxo comercial, mas acha que os importadores vão ser mais cautelosos em relação às importações da China do que foram em 2005.