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UE importa mais calçado

As importações europeias de calçado tornaram a aumentar no ano passado. De acordo com o noticiado pelo Vida Económica, o que está a acontecer é que os europeus compram cada vez mais no exterior, a preços cada vez mais baixos. Foram importados cerca de 1.940 milhões de pares de sapatos, num valor de cerca de 10,9 mil milhões de euros. Em termos médios, a descida no preço por par foi de 4,8%, comparativamente ao exercício anterior. Ainda durante o ano transacto, de acordo com a Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes e Artigos de Pele e seus Sucedâneos (APICCAPS), a China, mais uma vez, reforçou a liderança enquanto exportador de calçado para a Europa, atingindo perto de 57% das importações totais. O valor gasto naquele país foi de 4,7 mil milhões de euros, sendo curioso o facto do preço médio por par ter registado um acréscimo de 3,5%, para 3,76 euros. Uma preocupação continua a ser o calçado em couro. As importações chinesas deste segmento agravaram-se em perto de 220% e o preço médio baixou 22%, para 8,53 euros. Tendo em conta o desmantelamento do sistema de quotas no início do ano passado, a Europa comprou menos calçado ao Vietname (265 milhões de pares no valor de dois mil milhões de euros), o mesmo tendo sucedido relativamente à Tailândia e à Turquia. Em contrapartida, cresceram as importações de países como a Roménia, a Índia e o Brasil. Em termos de preços médios, o calçado proveniente da Malásia é o mais barato e o da Roménia o mais elevado. Quanto às exportações, a tendência foi inversa durante o ano transacto. As exportações ascenderam a cerca de 162 milhões de pares, no valor de 4,3 mil milhões de euros, o que se traduziu numa quebra de 3,4%. Com a agravante que a maior descida teve lugar naquele que é o maior mercado mundial de calçado do mundo, os Estados Unidos. O país adquiriu 42 milhões de pares da indústria europeia, no valor de 1340 milhões de euros, menos 23%, comparativamente ao exercício anterior. As exportações também apresentaram decréscimos nos mercados suíço, canadiano e de Hong Kong. O preço médio do par, ao nível das exportações, registou um crescimento de 13,5%, para pouco mais de 32 euros. Em contrapartida, a indústria europeia teve um comportamento positivo nos mercados russo, norueguês, japonês e dos Emiratos Árabes Unidos. Relativamente a Portugal, houve uma recuperação, mesmo que ligeira, no primeiro trimestre, sendo que há uma maior penetração em mercados de maior valor acrescentado. De facto, os indicadores relativos à evolução da produção e ao nível de utilização da capacidade produtiva apresentaram os melhores comportamentos dos últimos cinco anos. No entanto, para os próximos meses as previsões não são tão optimistas, já que o desempenho da carteira de encomendas levanta preocupações.