Início Notícias Têxtil

UE investe para reduzir desperdício têxtil

A UE está a financiar com 6,75 milhões de euros um novo projeto que pretende oferecer uma solução que valorize os resíduos têxteis e crie uma cadeia de valor verdadeiramente circular. Um projeto que junta parceiros de sete países, incluindo a portuguesa Inovafil.

Inovafil

O New Cotton Project reúne 12 empresas e organizações de toda a cadeia de aprovisionamento, que irão trabalhar em conjunto para desenvolver um modelo completamente circular para a produção comercial de vestuário. O grupo é liderado pela start-up finlandesa Infinited Fiber Company (IFC), cuja tecnologia patenteada é capaz de transformar resíduos têxteis ricos em celulose em fibras com o aspeto e toque de algodão.

Num período de três anos, os resíduos têxteis serão recolhidos, selecionados e regenerados em fibras da IFC. O consórcio é transnacional, com parceiros sete países, nomeadamente Finlândia, Portugal, Suécia, Alemanha, Holanda, Eslovénia e Turquia.

A portuguesa Inovafil, assim como as empresas Tekstina e Kipas, vão usar as fibras regeneradas pela IFC para produzir os fios, os tecidos e o denim, respetivamente. Estes serão usados para vestuário que vai ser desenhado, produzido e vendido pela Adidas e pelas marcas do grupo H&M.

IFC [©IFC]
Envolvidos no projeto estão ainda a Frankenhuis, responsável pela seleção e pré-processamento dos resíduos têxteis, a Universidade de Ciências Aplicadas do Sudeste da Finlândia (Xamk), que irá desenvolver a solução técnica para o processamento contínuo das fibras de resíduos têxteis para pré-tratamento, a REvolve Waste, que irá recolher e gerir os dados de resíduos têxteis para estimar a disponibilidade na Europa e definir a classificação dos resíduos têxteis, o instituto de investigação sueco RISE, que vai fazer análises sobre a sustentabilidade e questões técnicas e de economia do projeto, a Universidade Aalto que vai analisar os ecossistemas e modelos de economia circular e, por último, a Fashion for Good, que irá fazer formação e facilitar a cooperação entre as partes, sendo ainda responsável pela comunicação. «Sendo este o primeiro projeto do género, é também uma oportunidade para identificar e encontrar soluções para potenciais estrangulamentos a escalar a produção circular de têxteis e para calcular o impacto ambiental ao longo do ciclo de vida dos têxteis», considera a Fashion for Good, citada pelo just-style.com.

Têxteis para sempre

No fim de vida, os programas de retoma vão recolher o vestuário para determinar a próxima fase no seu ciclo de vida. O vestuário que não puder voltar a ser usado será transformado em novas fibras, contribuindo para uma economia circular na qual os têxteis nunca irão para aterros, mas são reutilizados, reciclados ou regenerados em novas peças de vestuário.

«Estamos muito entusiasmados e orgulhosos por liderar este projeto, que é pisar novo terreno no que diz respeito a tornar a circularidade indústria têxtil uma realidade. O entusiasmo e empenho com que todo o consórcio se juntou para trabalhar para um futuro mais limpo e sustentável para a moda é verdadeiramente inspirador», afirma o cofundador e CEO da IFC, Petri Alava.

IFC [©IFC]
As marcas de moda produzem, segundo a IFC, duas vezes mais roupa atualmente do que há 20 anos e a procura deverá continuar a aumentar. «Ao mesmo tempo, o equivalente a um camião de têxteis é enviado para aterro ou incinerado a cada segundo», realça a empresa finlandesa, acrescentando que a maior parte dos problemas ambientais da indústria advêm da utilização de matérias-primas como algodão e fibras derivadas de petróleo, como o poliéster.

«O New Cotton Project é uma resposta direta a estes problemas, oferecendo uma solução com valor para os resíduos têxteis e uma alternativa à dependência da indústria de matérias-primas virgens como algodão, que exige grandes áreas de terra agrícola, quantidades de água insustentáveis e fertilizantes e pesticidas poluentes para o seu cultivo», garante a IFC.

Argumentos que convenceram a UE, que através do programa Horizonte 2020 está a financiar o projeto com 6,75 milhões de euros.