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UE não vai restringir as importações têxteis da China

Face aos dados preliminares avançados sobre a eventual evolução do volume de importações da União Europeia (UE) com origem na China (ver notícia no PT), a UE afastou, para já, a possibilidade de avançar com restrições contra as importações têxteis da China, na sequência da liberalização do sector.

«Tais medidas teriam de ser completamente justificadas», garantiu Claude Veron-Reville, porta-voz do Comissário para o Comércio europeu Peter Mandelson, de acordo com o noticiado pelo China Daily. A porta-voz afirmou que Bruxelas não seguirá os passos da Turquia, que impôs quotas a 42 categorias de produtos têxteis de origem chinesa, em Dezembro passado (ver notícia no PT). De recordar que os dados actualmente disponíveis referem-se a licenças de importação emitidas e não a importações efectivamente realizadas pela UE, servindo apenas como indicação sobre a eventual evolução no volume de importações comunitárias de têxteis e de vestuário com origem na China.

O governo turco avançou com as quotas a pouco tempo do fim das restrições quantitativas ao comércio de têxteis e vestuário, iniciado em 1 de Janeiro passado, ao abrigo do estipulado pela Organização Mundial do Comércio.

Fabricantes têxteis e organizações de defesa do sector de países como Portugal têm feito pressão junto dos respectivos governos e Bruxelas para que sejam adoptadas medidas semelhantes contra o gigante asiático.

Em declarações ao Público, o Presidente da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, Paulo Nunes de Almeida, referiu que «Mesmo que as licenças venham para metade, estamos a falar de um aumento muito significativo. Por isso, creio ser altura de a União Europeia accionar as cláusulas de salvaguarda, à semelhança do que já fez a Turquia e do que se preparam para fazer os Estados Unidos».

De acordo com o divulgado pela Lusa, o bloco europeu, para já, está ainda a trabalhar na redacção de um guia orientador para adopção de medidas de salvaguarda. «Nós queremos que seja algo bem feito e não à pressão», referiu Claude Veron-Reville. Apesar de Bruxelas prever um cenário de adopção de medidas de salvaguarda, a porta-voz frisou que o mercado europeu não prossegue uma «estratégia de proteccionismo» para o sector, antes aposta no “forte” da UE: o fabrico de têxteis de elevado valor acrescentado.