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UE taxa importações americanas

Ainda no seguimento da disputa relacionada com os subsídios americanos à Boeing, a UE está a impor as taxas retaliatórias aprovadas pela OMC sobre importações dos EUA avaliadas em 4 mil milhões de dólares, incluindo algodão. Um anúncio que já motivou a crítica de associações europeias, incluindo a Euratex.

[©Pixabay]

A Comissão Europeia indicou que as contramedidas foram acordadas pelos Estados-Membro da UE uma vez que os EUA ainda não forneceram a base para um acordo, que incluiria a remoção imediata das tarifas americanas sobre as exportações europeias no caso da Airbus na Organização Mundial de Comércio. A OMC «autorizou formalmente a UE a 26 de outubro a tomar contramedidas contra os subsídios ilegais dos EUA à construtora de aeronaves Boeing», refere o comunicado da Comissão Europeia.

Os artigos de vestuário não estão atualmente na lista, mas a mesma inclui o algodão, desperdícios de algodão, bolsas e malas de viagem.

Em 2018, em retaliação contra as taxas americanas sobre o aço e alumínio da UE, a UE impôs taxas punitivas de 25% sobre produtos americanos com um valor de mercado estimado em 7,5 mil milhões de dólares (cerca de 6,37 mil milhões de euros), incluindo jeans. Estas taxas ainda estão em vigor.

A Comissão Europeia afirma que as contramedidas colocam a UE em pé de igualdade com os EUA, com taxas consideráveis de cada lado com base em duas decisões da OMC relacionadas com subsídios a aeronaves.

Solução com Biden?

«Tornámos claro que queríamos fazer um acordo em relação a este assunto que se prolonga há muito tempo», afirma Valdis Dombrovskis, vice-presidente executivo para Uma Economia ao serviço das Pessoas e Comissário do Comércio na Comissão Europeia.

Joe Biden [©Wikimedia Commons/Michael Stokes]
«Lamentavelmente, devido à falta de progresso com os EUA, não tivemos outra escolha que não impor estas contramedidas. A UE está, consequentemente, a exercer os seus direitos legais sob a decisão recente da OMC. Pedimos aos EUA para concordar com a eliminação dos dois lados das contramedidas atuais com efeito imediato, para que possamos rapidamente deixar este assunto para trás. Remover estas taxas será uma vitória para os dois lados, sobretudo com a pandemia a fazer estragos nas nossas economias. Temos agora a oportunidade de reiniciar a nossa cooperação transatlântica e trabalhar em conjunto para os nossos objetivos comuns», acrescenta.

Os meios de comunicação norte-americanos acreditam que o presidente-eleito Joe Biden deverá ter uma abordagem mais conciliatória à relação dos EUA com aliados como a Europa – aliás, na Administração Obama, da qual Biden foi vice-presidente, houve uma tentativa de negociar um acordo de comércio livre com a UE.

«Não ficaríamos surpreendidos se os EUA e a UE desarmassem ou até acordassem a disputa pouco tempo depois da Administração Biden assumir o cargo a 20 de janeiro de 2021», escreveu Holger Schmieding, economista-chefe na Berenberg, numa nota citada pela CNN. Pode ser «de alguma forma uma versão mais contida do Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento que a UE e os EUA debateram até Trump ter saído das negociações logo após ter assumido a presidência em 2017», explicou.

Associações pedem acordo

Um grupo de 13 associações europeias que representam os sectores ameaçados ou afetados por potenciais taxas – incluindo a Euratex – está a pedir à UE e aos EUA para acabarem com a escalada das disputas.

«Todos os nossos sectores foram ameaçados ou já afetados por taxas punitivas durante meses, como parte de uma disputa comercial sobre a qual não temos qualquer controlo e que não está relacionada connosco. Face ao abrandamento económico causado pela crise de Covid-19, que piorou com as recentes restrições e confinamentos localizados na Europa, não podemos dar-nos ao luxo de pagar a conta por estas disputas não relacionadas», indica a coligação em comunicado.

[©Wikimedia Commons/Daniel Ramirez]
«Embora as tensões comerciais entre os EUA e a UE sejam complexas, com questões sérias de ambos os lados, as taxas punitivas causam danos irreparáveis a empresas de todos os tamanhos e enfraquecem todas as cadeias de aprovisionamento, numa altura em que o crescimento e a criação de emprego são mais necessários», salienta.

A coligação pede que os dois lados trabalhem na negociação de uma solução e deixem de apontar para sectores que não estão diretamente relacionados com os subsídios à construção de aeronaves.

Em comunicado, o Representante do Comércio dos EUA, Robert Lighthizer, assegurou que «os EUA estão muito desapontados com as ações tomadas pela UE. O alegado subsídio à Boeing acabou há sete meses. A UE há muito que proclamou o seu empenho para seguir as regras da OMC, mas o anúncio de hoje mostra que faz apenas o que lhe é conveniente».