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Ultra Creative aposta no kapok para crescer

A fibra recolhida nas árvores mafumeiras é a mais recente adição ao portefólio da Ultra Creative Workwear Solutions, que está a introduzi-la no vestuário de trabalho que produz. A empresa, 100% dedicada à exportação, está ainda a expandir a sua presença internacional, com foco no Velho Continente.

António Ferreira

Com 20 anos de existência, que celebra este ano, a Ultra Creative alargou a sua área de atuação e, com isso, mudou a designação para Ultra Creative Workwear Solutions. «Inicialmente começámos não com produção, mas com a compra de matérias-primas e colocação das encomendas em subcontratados. Até que, em 2015, começámos a fazer uma pequena parte da produção, que mantemos hoje», revela António Ferreira, CEO e fundador da empresa. «Agora apresentamos as soluções que o nosso cliente precisa – não só aquilo que somos capazes de produzir, mas outras soluções que eles procuram», afirma ao Portugal Têxtil.

A especialidade são os polos de malha, piqué ou jersey, onde a empresa, que emprega 14 pessoas, tem a linha completa de valências produtivas, da modelagem ao embalamento, passando pelo corte e a confeção, através da qual é capaz de produzir cerca de 35% das encomendas do género. O restante é fabricado por confecionadores externos em regime de CMT, em Portugal. «O facto de Portugal começar a ser mais atrativo e de termos a flexibilidade que temos, permitiu-nos fazer outro tipo de artigo que não só aquele que fazíamos», justifica o CEO.

Responder aos desafios

Este desejo de inovar e chegar a novos nichos de mercado levou a Ultra Creative Workwear Solutions a aceitar o desafio de fazer peças de vestuário em malha com kapok, «uma fibra muito difícil de trabalhar», confessa António Ferreira. Recolhida na Indonésia da mafumeira, o kapok é uma fibra sustentável «com excelente qualidade em termos de toque e conforto», aponta. A Ultra Creative Workwear Solutions comprou o fio à empresa Flocus e desenvolveu a malha com tricotagens portuguesas, com uma composição 30% kapok/70% algodão BCI (Better Cotton Initiative). «Tivemos três empresas a fazer a malha mas duas delas desistiram por completo. A realidade é que é de muito difícil processamento. Mas é uma fibra muito boa e há uma grande aposta nesta fibra neste momento», destaca.

A prova é que a empresa produziu 10 mil peças de vestuário para a Shell London, «uma produção considerável para o nosso tamanho», reconhece o CEO, que indica que «o nosso cliente estava a fazer isto na China, porque quantidades desse género são feitas na China, mas nós produzimos tudo em tempo recorde».

O preço é, de resto, um dos grandes entraves ao crescimento da Ultra Creative Workwear Solutions, porque, como explica António Ferreira, no mercado onde a empresa atua – o workwear – «produzimos vestuário para empresas que o vão oferecer aos funcionários. Não vão fazer dinheiro com a roupa que vendemos. Temos que ter essa consciência», aponta. E países onde a produção é mais barata, como a própria China mas também, e sobretudo, a Turquia, «que é o nosso principal concorrente», acabam por fazer mossa no negócio.

Diferenciar e diversificar

O segredo é apostar na diferenciação. «Um dos nossos principais clientes, no final das férias, fez um evento com fornecedores de todo o mundo e nós fomos incluídos por causa da ISO 9001, que temos desde 2014, e por causa da nossa ambição dos sustentáveis. Daí que nos tenha incluído mesmo não sendo um país atrativo em termos de preço», admite o CEO.

Com uma vocação completamente exportadora, a Ultra Creative Workwear Solutions vende essencialmente para o mercado holandês, onde tem 14 clientes, mas tem vindo, passo a passo, a chegar a outros países, nomeadamente à Alemanha, ao Reino Unido, a França e a Espanha. «A estratégia é, cada vez mais, diversificar os clientes», destaca António Ferreira, que aponta as baterias para a Europa. «Somos uma empresa bastante pequena e não temos grande capacidade de nos espalharmos por aí fora. Para o nosso tamanho, temos clientes suficientes na Europa», considera.

Essa possibilidade abre boas perspetivas para o futuro da Ultra Creative Workwear Solutions, que em 2018 faturou 800 mil euros e em 2019 se deverá manter na mesma linha. «Se conseguirmos expandir em número de clientes, naturalmente que temos de estar otimistas para o próximo ano, até porque, pela primeira vez na história da nossa empresa, já temos encomendas confirmadas para agosto», conclui António Ferreira.