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Um ano para celebrar

A indústria têxtil e vestuário tem vindo a fazer um percurso de requalificação de tal modo que conseguiu uma recuperação de mil milhões de euros em cinco anos, entre 2009 e 2014», começou por dizer João Costa, presidente da ATP, na conferência de imprensa de 24 de fevereiro, convocada pela associação para fazer o balanço do sector e apresentar os seus projetos para 2015. Os números, provisórios, do INE sustentam o otimismo do presidente da ATP, com um volume de negócios de 6.43 mil milhões de euros e exportações de 4,62 mil milhões de euros em 2014, uma tendência de crescimento que se deverá manter no futuro. «Parece-nos que não será possível abandonar a produção na Europa e na nossa perspetiva é de admitir que as exportações continuem a crescer nos próximos anos. Acreditamos que podemos atingir os 5 mil milhões de euros de exportações em 2016 ou 2016, bem antes do ano de 2020, como prevê o Plano Estratégico», frisou João Costa. Relevante é ainda o facto do sector ter aumentado o número de trabalhadores, que ultrapassam agora os 126 mil. «Pela primeira vez em muitos anos, crescemos no emprego do sector, com a criação de cerca de 4.000 postos de trabalho», referiu aos jornalistas o diretor-geral da associação, Paulo Vaz. Atualmente o sector contabiliza 11.961 empresas registadas, embora apenas cerca de 8.000 dessas se mantenham ativas. E, de acordo com o diretor-geral da ATP, mantiveram-se no mercado em grande parte graças à aposta nos mercados externos. «Em 2005, as exportações correspondiam a mais de 60% da produção e do volume de negócios. Ao longo destes nove anos, que foram anos difíceis de ajustamento, esta taxa aumentou para 72% do volume de negócios e quase 80% da produção», destacou Paulo Vaz. Espanha continua a ser o principal cliente e fornecedor da produção “made in Portugal”, com destaque para as trocas comerciais com a Inditex. «Numa visita recente que fiz à Inditex, um dos responsáveis referiu que Portugal continua a ser muito importante para a empresa, que tem 400 lojas no nosso país e vende cá 900 milhões de euros, o que quer dizer que a Inditex vende mais em Portugal do que o que compra», afirmou Paulo Vaz, que estima que as compras a Portugal da gigante espanhola ascendam a cerca de 400 milhões de euros. Para continuar nesta rota de crescimento, a ATP pretende agora, a par do apoio às empresas na participação em feiras internacionais, promover a imagem do sector e o empreendedorismo na fileira. «São essas as duas grandes novidades: a aposta na comunicação e imagem do sector, para nos posicionarmos superiormente na cadeia de valor, e o empreendedorismo, para regenerar a fileira. Como queremos ter futuro neste sector, temos de o fazer», indicou Paulo Vaz. A campanha para promover os têxteis e vestuário em Portugal e no mundo começará em breve, integrada num projeto de qualificação do sector no valor de 90 milhões de euros até 2020. As expectativas de crescimento da fileira em Portugal passam ainda pelos EUA, com o acordo de comércio livre que está a ser negociado com a União Europeia. «Estima-se que em quatro ou cinco anos possa haver um ganho nas exportações deste sector de 400 a 500 milhões de euros», apontou Paulo Vaz. «Este acordo é uma das conquistas mais importantes que a Europa pode realizar. Se as condições de entrada nos EUA foram sensivelmente iguais às da Europa, Portugal ganha fortes perspetivas de crescimento», sublinhou João Costa. A importância do sector para o país é também algo que a ATP quer vincar e, por isso, no âmbito das comemorações dos seus 50 anos, já convidou o Presidente da República para encerrar o XVII Fórum da Indústria Têxtil, com data para 24 de novembro de 2015. Do programa, que começou com um jantar e desfile de moda integrado na 45.ª edição do Modtissimo, consta ainda uma exposição, um concerto na cidade de Vila Nova de Famalicão (onde a associação está sediada) e um jantar de homenagem na edição de outubro do Portugal Fashion.