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UM dá ferramentas à inovação

Para melhorar as competências dos recursos humanos e impulsionar a inovação na indústria têxtil e vestuário, a Universidade do Minho, em parceria com a Tecminho, está a lançar um curso de b-learning. Uma ação piloto onde serão abordados sete temas, incluindo gestão da inovação, prototipagem virtual de vestuário e tecnologias avançadas de tricotagem.

Batizado “Advan2Tex – Curso b-learning em áreas inovadoras na têxtil”, o curso é composto por sete módulos e tem uma componente online e uma presencial. «O curso tem previsto sessões presenciais de três horas por semana, em horário pós-laboral», explicou Luís Almeida, professor e coordenador do projeto na Universidade do Minho, no workshop organizado em Guimarães para apresentação da iniciativa, parte do projeto Advan2Tex, financiado pela Comissão Europeia ao abrigo do programa Erasmus +.

Com início previsto, mas não confirmado, para 8 de março, o curso deverá decorrer durante sete semanas, uma por cada tema. «Com a dedicação de uma a duas horas por dia em formato e-learning, os participantes deverão ser capazes de apreender a matéria de cada módulo numa semana», referiu Luís Almeida.

Os módulos incluem diversas áreas de interesse para impulsionar a inovação na indústria têxtil e vestuário e, como condição fundamental para participar no curso, sobretudo por se tratar de uma edição piloto, é que «têm de frequentar os sete módulos, independentemente de terem mais interesse num ou outro», sublinhou Luís Almeida.

No módulo de empreendedorismo, por exemplo, será dado destaque às características do empreendedor, assim como a conceitos como eneagrama de personalidade e plano de negócios. A propriedade intelectual e a transferência de conhecimento serão temas abordados no módulo de gestão da inovação, enquanto na semana dedicada à sustentabilidade serão as emissões de carbono e a produção sustentável a dominar. A prototipagem virtual de vestuário, nomeadamente os avanços nas tecnologias CAD e modelação e simulação em avatares constitui um outro tema abordado no curso, a que se juntam ainda a normalização nos ensaios e os ensaios têxteis (em dois módulos separados) e as tecnologias avançadas de tricotagem, nomeadamente o potencial técnico dos teares e tricotagem 3D.

Os conteúdos são preparados pelos diversos parceiros do projeto: o INCDTP – Instituto Nacional de Investigação para os Têxteis e Couro de Bucareste (Roménia), responsável pela coordenação; o Departamento de Engenharia Têxtil da Universidade do Minho (Portugal); o TZU – Instituto de Ensaios Têxteis (República Checa); a Universidade de Maribor (Eslovénia); e a Universidade Técnica de Iasi (Roménia).

As datas para a inscrição no curso – que tem vagas limitadas – ainda não foram estabelecidas, mas os interessados poderão contactar a Tecminho (formar@tecminho.uminho.pt) para obter mais informações.

O curso decorre numa altura em que a procura por profissionais qualificados na área têxtil, nomeadamente engenheiros, tem aumentado, como referiu, durante o mesmo workshop, Noémia Carneiro, diretora do Departamento de Engenharia Têxtil da Universidade do Minho. «Estes dois últimos anos deram-nos a certeza que alguma coisa está positivamente a mudar a história. Reabrimos o curso diurno de Engenharia Têxtil com uma enchente – abrimos 10 vagas mas tivemos muitas candidaturas e os alunos que entraram tiveram boas notas, o que à partida destaca qualidade», referiu.

Uma evolução que, acredita, «deve-se não só ao nosso trabalho mas à luta da indústria têxtil para conquistar uma boa imagem, esta imagem de indústria de futuro e também a convicção que uma carreira na indústria têxtil tem pernas para andar», afirmou, mostrando-se confiante no sucesso do novo modelo de ensino da Universidade do Minho, mais voltado para a realidade e para as necessidades efetivas das empresas, com foco em áreas como gestão e organização da produção, inovação, controlo de custos e domínio dos têxteis técnicos e funcionais, entre outras.

Noémia Carneiro reconhece, contudo, que ainda não se manifestou uma «reativação do mercado de trabalho» com a «valorização consistente dos primeiros anos». Para a diretora do Departamento de Engenharia Têxtil da Universidade do Minho, «as empresas têm de confiar nos jovens, de os encaixar, mas dando-lhes margem de manobra. Eles são agentes de mudança».