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Um mercado em alta

O consumo de vestuário infantil tem vindo a aumentar, antecipando-se uma taxa média de crescimento anual de 4,5% até 2027. Embora os EUA sejam o maior mercado, os países europeus apresentam igualmente uma evolução favorável.

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A moda de criança tem vindo a assumir uma importância crescente, com os players tradicionais a terem cada vez mais concorrência, quer de novas marcas que nascem propositadamente voltadas para o universo infantil, quer da expansão de marcas já estabelecidas no mercado, nomeadamente as casas de moda de luxo, que estão a expandir-se para este segmento.

De acordo com um artigo publicado por Daria Koren, investigadora de moda, luxo e lifestyle do The MBS Group, o mercado de moda infantil está atualmente avaliado em 145 mil milhões de dólares (cerca de 123,1 mil milhões de euros). «Para os negócios já estabelecidos no mercado, aventurar-se no vestuário de criança parece ser uma aposta segura: tendo já conquistado a confiança dos seus clientes, as marcas de moda podem posicionar-se como primeira escolha quando os compradores se tornam pais. Para as marcas que procuram diversificar as suas gamas de produto, assim como as suas fontes de rendimento, é um mercado entusiasmante e de risco relativamente baixo para a expansão», escreve.

Um estudo da Precision Reports com as projeções para o mercado mundial de vestuário infantil apontam para uma taxa de crescimento anual composta de 4,5% entre 2022 e 2027, altura em que deverá representar 156,6 mil milhões de dólares. Atualmente, segundo este estudo, o mercado dos EUA é o principal consumidor, com uma quota de mercado de 21%, sendo que apenas tem uma quota de 9% em termos de produção.

Já o mercado europeu, de acordo com dados do Eurostat citados pelo CBI – o centro de promoção das importações de países em desenvolvimento, uma entidade sob a alçada do Ministério dos Negócios Estrangeiros dos Países Baixos –, estava estimado, em 2019, em cerca de 50,7 mil milhões de euros, sendo que, nos seis países com mais consumo de moda de criança – França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Espanha e Polónia – se estima que anualmente se gasta, em média, cerca de 600 euros por criança (em França o valor atinge 1.075 euros, enquanto na Polónia é de apenas 300 euros).

França lidera, seguido do Reino Unido

França era, em 2019, e segundo o Eurostat, o país da União Europeia com maior número de crianças entre os zero e os 14 anos: 12,1 milhões de crianças, equivalente a 15,18% de todas as crianças europeias, incluindo 754.008 bebés nascidos nesse ano. No entanto, a taxa média de natalidade (-1,48%) e o número total de crianças (-0,35%) estavam a descer, o que significa que o mercado de moda infantil está também a encolher no país. Contudo, de acordo com o CBI, o poder de compra dos franceses subiu 2,5% entre 2018 e 2019, o que tem um impacto positivo nos gastos com vestuário de criança. Em média, os pais gastam 1.075 euros por filho e por ano em roupa, o que é mais do que qualquer outro país europeu, estimando-se que em 2019 tenham consumido o equivalente 13 mil milhões de euros.

O Reino Unido surge em segundo lugar, com cerca de 11,9 milhões de crianças, tendo nascido 640.370 bebés em 2019. O país, que a 31 de janeiro de 2020 saiu definitivamente da União Europeia, tem uma taxa positiva (1,01%) de evolução do mercado de vestuário infantil, apesar da queda da natalidade a uma taxa de -1,72% por ano desde 2014. O CBI aponta para que, em média, os britânicos gastem 900 euros por filho e por ano em roupa de criança, o que avalia o mercado em 10,75 mil milhões de euros em 2019, salientando ainda que há «uma tendência de crescimento». Esta estimativa parece, no entanto, ser demasiado otimista, pelo menos em comparação com a análise da Kantar, citada pela Drapers, em que a empresa de pesquisa de mercado aponta para um valor de 4,8 mil milhões de libras (cerca de 5,57 mil milhões de euros) do mercado em 2020, assumindo uma quebra de 11,1% face ao ano anterior.

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A Alemanha surge na terceira posição no âmbito do mercado europeu, sendo pátria de cerca de 11,3 milhões de crianças, incluindo de 778.090 bebés nascidos em 2019. O país, de resto, ao contrário da França e do Reino Unido, regista taxas positivas de evolução, tanto no número absoluto de crianças (+1,19%) como da taxa de natalidade (+2,67%) no período compreendido entre 2014 e 2019. O CBI estima que o mercado de vestuário infantil na Alemanha tenha representado cerca de 7,2 mil milhões de euros em 2019, apontando para um consumo médio anual por criança de 637 euros.

Polónia no top 6

O quarto país com mais crianças na Europa é Itália, com cerca de 8 milhões, incluindo 420.840 bebés nascidos em 2019. O país enfrenta, todavia, uma queda acentuada da taxa de natalidade (-3,97% anualmente entre 2014 e 2019). Ainda assim, refere o CBI, Itália deverá manter-se como um mercado importante para o segmento de roupa infantil, devido à sua dimensão, e, apesar do consumo médio por ano e por criança se ficar pelos 377 euros, a associação Confindustria Moda registou um aumento do volume de negócios no segmento de 3,5% em 2019 comparativamente a 2018.

Espanha surge na quinta posição, com 6,9 milhões de crianças, das quais 358.747 nascidas em 2019. Tanto a taxa de natalidade (-3,31%) como o crescimento médio anual por grupo etário (-0,39%) baixaram entre 2014 e 2019, mas o mercado de moda infantil tem crescido, graças a um consumo médio anual de 524 euros por criança, que em 2019 valorizou o mercado em 3,6 mil milhões de euros.

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Por último, a fechar a lista dos seis mercados mais importantes para o vestuário de criança, surge a Polónia, que tem 5,8 milhões de crianças, incluindo 374.964 bebés nascidos em 2019, e uma taxa de natalidade com um crescimento positivo (0,29%) entre 2014 e 2019. Os polacos gastam em roupa para os mais pequenos cerca de 300 euros por ano por cada criança, estimando-se o valor do mercado em 1,75 mil milhões de euros em 2019.

Não obstante, o mercado europeu no seu conjunto padece de um crescimento anual muito baixo em termos de número de crianças (apenas 0,14% entre 2014 e 2019), o que é uma ameaça ao desenvolvimento do mercado. Ainda assim, a Statista antecipa que as vendas em volume (peças de vestuário infantil) atinjam 12,17 biliões em 2025.