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Um mundo em rápida mudança

Sustentabilidade, tecnologia, reshoring e colaboração entre empresas são algumas das tendências que vão moldar a indústria têxtil e vestuário nos próximos anos, segundo os especialistas internacionais que estiveram presentes no painel dedicado às megatendências na sessão de abertura da iTechStyle Summit ‘22.

«As coisas estão, de facto, a mudar muito mais rapidamente», começou por afirmar António Braz Costa, numa ideia que acabaria por ser vinculada pelos participantes desta primeira mesa redonda do iTechStyle Summit ‘22 dedicada às megatendências, que incluiu Lisa Lang, da The Power House Group, António Cunha, presidente do CCDR-N, Adriana Domínguez, CEO do grupo Adolfo Domínguez, Tobias Gröber, diretor-executivo de bens de consumo da Messe München, e Thomas Gries, diretor do ITA – Institut für Textiltechnik da RWTH Aachen University, da Alemanha.

António Braz Costa

Parte desta mudança está a ser impulsionada pela legislação, já que, como salientou o diretor-geral do CITEVE na abertura do iTechStyle Summit, o têxtil encontra-se atualmente no centro das políticas europeias. E as alterações, nomeadamente legais, estão a ser implementadas de tal forma que «o nosso sector vai ter que “andar da perna”», até porque há medidas prestes a entrar em vigor. «A Comissão Europeia diz que o passaporte digital dos produtos têxteis vai estar implementado em 2023», exemplificou. Como tal, será necessária uma forte adaptação e o nosso país pode estar na vanguarda, até porque «Portugal é relevante no contexto europeu no sector do têxtil, vestuário e moda», sublinhou António Braz Costa.

António Cunha

A sustentabilidade e a tecnologia constituem elementos fundamentais neste futuro, como garantiu António Cunha, que na sua intervenção fez referência a uma nova ordem mundial, económica e geopolítica, onde «o ambiental e toda a questão energética que lhe está associada», assim como a tecnologia, estão em foco. «Há um conjunto de tecnologias que permitem uma grande transformação, seja aquilo que está associado às tecnologias de telecomunicações, de todos os tipos, seja a inteligência artificial, os dados, grande capacidade de computação, ou seja, os supercomputadores, realidade aumentada, realidade virtual», enumerou. Mas, «para mim, a transição digital são sobretudo duas coisas», explicou António Cunha, apontando os «novos modelos de interface humano-máquina, seja na nossa vida profissional, seja na nossa vida pessoal» e «o modo como o digital está a alterar os modelos de negócio».

Tobias Gröber

Também Tobias Gröber considera que a sustentabilidade é a tendência mais importante, nomeadamente ao nível do desporto. «Ambiente, consciencialização e sustentabilidade estão a tornar-se num fator central em termos económicos para toda a gente», reconheceu o diretor-executivo de bens de consumo da Messe München, responsável por certames como a Ispo, onde Portugal tem uma forte presença. «A maior ameaça para as marcas é definirem-se apenas pelo seu produto. A razão pela qual os consumidores compram hoje Patagonia não é porque tem o melhor casaco, é porque oferecem um valor emocional adicional que vem com o casaco», realçou.

Adriana Dominguez

Na inovação, a colaboração entre empresas é, cada vez mais, essencial, como asseguraram Lisa Lang e Thomas Gries, enquanto para Adriana Domínguez, que representou o lado dos retalhistas, uma vez que a empresa que lidera já não produz, salientou a proximidade da produção aos mercados, com o reshoring a ganhar força. «Num ano multiplicámos por quatro a produção em Portugal», revelou. «É uma grande mudança para nós», assumiu, «algo que nunca pensámos antes da pandemia». Mas, num mundo em mudança, nomeadamente depois da pandemia, há «perigos, mas também oportunidades» que devem ser aproveitadas, concluiu a CEO da Adolfo Domínguez.