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Um mundo sem quotas

Quem serão os vencedores e os derrotados no panorama mundial dos têxteis e vestuário após 2005?

Com o dia 1 de Janeiro de 2005 a pairar como uma sombra sobre a indústria do vestuário a nível global, a grande questão que se coloca a todas as pessoas ligadas a este negócio é: o que vai acontecer depois de 2005?

Continuará a haver espaço para os fabricantes actuais, ou a China vai ficar com a “fatia de leão” do mercado mundial de vestuário, apoiada numa moeda pouco valorizada, nos subsídios governamentais e numa forte indústria têxtil?

Rohit Kuthiala aponta assim alguns dos indicadores fundamentais para identificar os potenciais vencedores neste panorama, após 1 de Janeiro de 2005.

Questões ligadas às quotas de comércio: os países que conseguirem preencher completamente as suas quotas em 2003 e 2004, beneficiarão quando estas forem retiradas, pois verão um aumento nos seus negócios após 2005, à medida que algumas categorias de limitações começarem a ser abrandadas.

Crescimento nos segmentos liberalizados: com as categorias das quotas a serem liberalizadas por fases, os vencedores da era pós-quotas vão assistir a um forte crescimento nestes segmentos.

Por exemplo, a China viu os negócios em alguns destes segmentos aumentarem várias vezes.

Forças inerentes: as forças inerentes incluem uma boa base de fios e matérias-primas, maquinaria têxtil eknow-how técnico, bem como mão-de-obra barata, para converter essas matérias em artigos de vestuário.

Os países com grandes populações, que estão habituados a produzir vestuário para os seus compatriotas, possuem uma vantagem competitiva, que lhes permitirá competir nos mercados internacionais.

Oferta de opções, flexibilidade e um bommix de produtos: os países que se mantiverem no mercado e conseguirem crescer depois de 2005, estarão em condições de oferecer diversas opções em termos de tipos de produtos, fábricas, flexibilidade de produção, etc.

Nenhum comprador vai colocar encomendas num país se esse país não oferecer um leque variado de opções, bem como um conjunto de estruturas de apoio, como fabricantes de etiquetas, fechos e outros acessórios.

Integração vertical e ganhos de produtividade: com uma larga fatia dos negócios do mercado dos têxteis e vestuário a deslocarem-se para um reduzido número de países, os países que contarem com empresas integradas e de sucesso, como elevados níveis de produtividade e preços competitivos, beneficiarão naturalmente do fim do sistema de quotas no comércio internacional.

Os mercados de vestuário actuais não deverão evoluir significativamente no que toca à sua cadeia de produção, mas certamente surgirão novos e mais competitivos mercados, levando os países que não podem concorrer a montante desta cadeia, a importar produtos têxteis e vestuário aos países que conseguirem manter uma vantagem concorrencial e desenvolver o seu próprio negócio de exportação.

Aumento da dimensão dos mercados: com o fim das quotas no comércio internacional, os mercados existentes deverão crescer, tanto em dimensão, como em volume de transacções.

Além disso, muitas das economias emergentes, beneficiando do aumento de rendimentos, vão destacar-se como novos e importantes importadores de vestuário, o que por sua vez criará novas oportunidades para as nações exportadoras que conseguirem manter-se competitivas.

Descida dos preços no retalho: durante longos anos, os preços das quotas floram incorporados nos custos de produção, e em última análise no preço ao cliente final.

Com o fim destas quotas, as empresas de vestuário poderão passar a comprar a preços mais baixos, e deixarão também de enviar os tecidos para serem transformados em artigos de vestuário, em diferentes países.

Novos produtos e aumento das opções: os produtores dos produtos mais caros vão ser ultrapassados e perder a sua vantagem competitiva, a favor dos fabricantes mais baratos dos países sem quotas.

Para compensar estas perdas, estas empresas vão investir em investigação e desenvolvimento, e em mercados de alta tecnologia, apostando em produtos que, embora com preços mais elevados, têm um mercado assegurado.

Cadeias de produção mais flexíveis e de resposta rápida: depois da eliminação das quotas, os retalhistas poderão trabalhar com qualquer país, e cada exportador poderá, por seu turno, prestar o melhor serviço aos seus clientes, em termos de rapidez de resposta às solicitações das tendências de moda, o que colocará uma série de novas propostas aos consumidores.

Apesar do fim das quotas no comércio de têxteis e vestuário em 2005, o mundo continuará a ser em grande parte dominado por direitos aduaneiros e pelos acordos comerciais estabelecidos entre os países importadores e aqueles aos quais forem concedidos direitos de preferência.

Neste cenário, a legislação anti-dumping e contra a concorrência desleal assumirá igualmente um papel fundamental, tendo em conta a regulamentação do comércio internacional.