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Um negócio de pele

Muito graças ao sucesso da gama “Army”, que originou uma popular parka de assinatura jovial e de inspiração militar, a Yves Salomon – negócio familiar de peles que atualmente é representado pela sua 4ª geração – assistiu a um recorde de vendas em 2015.

A gama de parkas “Army” é, de resto, a que mais chama a atenção de quem visita o espaço da loja Yves Salomon na Madison Avenue, em Nova Iorque. A versão original – uma sarja verde, alinhada com colar de pelo de coiote, que é vendida por cerca de 1.950 dólares (aproximadamente 1.800 euros) – está pendurada ao lado de uma série de novas iterações, que incluem poliamida e denim combinados com uma série variada de pelos em forros e golas.

A peça foi introduzida em 2010, inspirada em casacos militares vintage. «Temos mais estilos na parte de trás», revela Thomas Salomon, o herdeiro de quarta geração da casa, e filho de Yves ao The Business of Fashion (BoF). «As pessoas nos EUA conhecem-nos através da parka».

Salomon foi o responsável pela expansão internacional da empresa – confinada unicamente a Paris no passado –, que incluiu a abertura da primeira loja em Manhattan. Há também três lojas em Paris, uma em Saint Tropez, uma em Aspen e duas em Moscovo. Com as lojas independentes, a Yves Salomon pretende capturar uma tranche maior do mercado das peles, avaliado em cerca de 40 mil milhões de euros.

Outrora conhecida apenas pela fabricação de forros para outras casas de moda, a empresa passou a última década a refinar o seu próprio negócio e coleções. «Disse ao meu pai, ou estamos a trabalhar para construir uma marca ou num par de anos vamos ter de fechar a empresa», recorda Thomas Salomon. «Há 10 anos tínhamos 25 pessoas na empresa, agora temos quase 150», destaca.

Desde que se juntou ao pai em 2004, Thomas Salomon contratou designers de algumas das maiores marcas de luxo do mundo para darem corpo à sua visão daquilo que um negócio moderno de peles deve ser.

Em 2015, a faturação da Yves Salomon ascendeu aos 50 milhões de dólares, uma subida de 56% em relação aos 32 milhões de 2012, num crescimento constante de ano para ano. Thomas Salomon recusa-se a creditar todo este sucesso à coleção “Army”, uma vez que esta ainda representa apenas uma pequena fração nas vendas globais. Em vez disso, argumenta que é a abordagem avant-garde da empresa quem tem estimulado o crescimento.

Não obstante, reconhece que a coleção “Army” trouxe mais reconhecimento ao nome da casa. Nos EUA, as vendas da coleção ascenderam aos 1,3 milhões de dólares em 2015, um aumento de 884 % em relação aos 147 mil dólares em 2012. «Dá uma imagem mais jovem e mais na moda à marca», afirma.

Originalmente chamada La Franco-Anglaise, a empresa foi fundada por Gregory Salomon, em 1920, como um fornecedora e comerciante de peles para casas como Dior e Revillon. O neto de Gregory, Yves, começou a desenhar casacos para marcas de pronto-a-vestir na década de 1980. Em 1983, lançou uma coleção homónima. Em 2006, a empresa adquiriu a famosa casa de peles francesa Revillon e começou a desenvolver as suas linhas dentro de portas.

Hoje, existem quatro: uma coleção principal, que inclui pronto-a-vestir, bem como menswear e acessórios; uma linha de preço mais acessível designada Mateo, vendida em lojas como a Bloomingdale’s; a 245 Saint Honoré, uma gama alta cujo nome é o endereço da primeira loja da empresa, em Paris; e a “Army”, vendida em lojas como a Barneys New York, MatchesFashion.com e Harvey Nichols. Há cinco anos, apenas 50% das vendas da Yves Salomon advinham das suas próprias etiquetas. Hoje, o número é de 80%.

Mas a marca tem importantes desafios pela frente. Até agora, a Yves Salomon despendeu grande parte dos esforços para atrair um público mais jovem e atraído pela moda – através da introdução de novos produtos, como sapatilhas, incluídas na linha “Army” –, mas há outros fatores, menos previsíveis, em jogo. Nesta estação, o clima excecionalmente quente causou uma desaceleração no crescimento.

Thomas Salomon e a equipa procuram contornar isso com designs mais leves e peças de edição limitada que estimulam a compra. As vendas do pronto-a-vestir, que são as menos dependentes da temperatura, estão em alta, aumentando mais de 10% a cada temporada. Existem também planos para expandir os negócios de vestuário masculino.

Olhando para o futuro, Thomas Salomon olha para o Reino Unido e para a Coreia do Sul como mercados importantes, juntamente com a França, os EUA e Rússia.