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Um negócio exemplar

Com 44 anos, o grupo Impetus conseguiu impor-se no mercado, seja na vertente industrial ou na inovação, como prova o ProtechDry, e na marca própria, com uma forte presença no El Corte Inglés e nas Galeries Lafayette. A estratégia passa agora por melhorar a produtividade e avançar mais um passo na internacionalização.

A estratégia foi revelada por Alberto Figueiredo, fundador e presidente do grupo, numa entrevista publicada na edição de setembro do Jornal Têxtil. Com uma visão que aponta sempre para o futuro, Alberto Figueiredo conseguiu criar, em pouco mais de quatro décadas, um gigante têxtil que emprega cerca de 800 pessoas, com filiais em vários países da Europa e nos EUA e uma unidade produtiva em Cabo Verde.

«Nunca me esquece que começámos por fazer roupa interior para homem em poliamida para Inglaterra, nas cores mais berrantes que nem hoje se usam. Veio o 25 de Abril e as empresas estrangeiras cortaram as importações de Portugal. Ficámos com 300 contos de mercadoria em stock, mais do que tínhamos investido. Voltámos à estaca zero, ou antes, ficámos com mais compromissos. Só que após o 25 de Abril, com os aumentos salariais, o consumo explodiu. Começámos a vender no mercado interno e, como cresceu, deu para recuperar da queda. Depois, gradualmente, voltámos à exportação», recordou Alberto Figueiredo.

A especialização no underwear surgiu mais tarde, em 1986, e chegou para ficar, tal como a marca própria – um projeto visionário tendo em conta o contexto do sector na altura. «Criámos a nossa marca e fizemos um catálogo muito interessante na altura, embora continuando a vender para o private label. Abriram-se muitos mercados – lembro-me que trabalhámos muito com os EUA, com a marca do cliente; depois começámos com um alemão, primeiramente produzindo artigos para ele e depois vendendo a nossa marca, sendo ele nosso representante», contou ao Jornal Têxtil.

Atualmente presente em grandes armazéns como o El Corte Inglés e as Galeries Lafayette, a marca tem crescido e deverá continuar a prosperar. «O futuro é que a marca, que vale mais ou menos 60% da nossa faturação, tenha cada vez mais peso, porque a marca dá mais margem e, por isso, dá mais sustentabilidade para assegurar o futuro das pessoas», afirmou.

A equipa ligada à marca, de resto, está a ser reforçada com a contratação de um diretor comercial para os mercados internacionais. «O made in Portugal é importante, mas é preciso ter acesso ao mercado, por isso andei a procurar e fui buscar um alemão, uma pessoa que está há 30 anos no sector, que conhece todo o mundo, porque hoje o negócio também é uma relação pessoal», justificou Alberto Figueiredo.

Inovar para vender

A inovação está igualmente na linha da frente. «Acho que é preciso fazer diferente, mas que o mercado tenha necessidade. Só vale a pena inovar para vender. A finalidade das empresas tem de ser vender», sublinhou Alberto Figueiredo.

O ProtechDry, uma linha para incontinência ligeira, «tem sido uma surpresa para nós. Ainda não é um produto que venda muito, mas estamos em vários países: EUA, Canadá, Suécia, Inglaterra, França, Alemanha, Suíça e vamos agora entrar em alguns países árabes. Felizmente tem tido uma boa aceitação», indicou.

Em incubação estão, por isso, novos projetos de I&D. «Estamos a desenvolver um produto com proteção para as pessoas de idade que vai levar quase um tipo de almofada lateral que é para se a pessoa cair, não se fraturar. Já vendemos isso para a Suíça – temos de entregar antes do final do ano. Vamos lançar também nos EUA e depois junto dos clientes que compram ProtechDry. Queremos também dar um salto ainda maior no ProtechDry. Acho que é uma área que podemos explorar melhor, porque estamos a falar de um produto que fizemos há uns cinco anos – há coisas novas e temos de renová-lo», desvendou o presidente do grupo Impetus.

Melhorar sempre

No primeiro semestre do ano, o grupo, que em 2016 registou um volume de negócios de 53 milhões de euros, continua a crescer. «Este ano estamos a ver se vamos, pelo menos, aproximarmo-nos dos dois dígitos, dos 10%. Estamos a fazer um esforço para aumentar a produtividade, tem de ser uma constante mas este ano ainda mais. Estamos a fazer um combate ao desperdício e, no primeiro semestre, posso dizer que o resultado foi positivo», revelou.

Um processo de melhoria constante que está permanentemente nos objetivos do presidente do Grupo Impetus. «Se paramos no tempo, as empresas podem ser como as pessoas, envelhecem e morrem, e não pode ser. As empresas, se forem renovadas, conseguem ter outras vidas e não morrerem num espaço tão curto como o homem. Portanto, é essa capacidade que temos de ter», resumiu.

Apesar do sucesso da empresa que lidera, Alberto Figueiredo considera que falta estratégia para o sector, nomeadamente por parte do poder central. «Não se consegue passar de um governo para o outro e definir uma estratégia para o sector têxtil, para o sector do calçado. Temos uma administração pública que, quando muda de governo, muda para toda a gente e mudam as políticas», exemplificou.

Outra das dificuldades é a legislação. «Aqui as pessoas encaram o emprego como segurança e o Estado permite. E quem é que vai ser prejudicado nisto? São os bons. Os bons podiam ganhar muito mais dinheiro. Só que as empresas têm de suportar os bons e os maus. E os maus vivem à custa do trabalho dos bons. Um trabalhador bom, a gente disputa-o, não o manda embora. Eu tenho que dizer que aqui, felizmente, 90% são excelentes trabalhadores», concluiu.