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Um país de oportunidades – Parte 1

A Birmânia, o país mais pobre do sudeste asiático, é vista como tendo boas oportunidades, ainda não exploradas, na produção e sourcing de vestuário, graças aos seus baixos custos de mão de obra, grande força de trabalho e acesso com benefícios aos mercados de consumo ricos. Mas enfrenta também diversos desafios para se tornar competitiva. A Birmânia (também chamada de Myanmar) tem sem dúvida algumas grandes vantagens como local de produção para o vestuário, incluindo custos baixos com mão de obra, trabalhadores em busca de um emprego e acesso sem taxas e sem quotas ao mercado europeu. Benefícios adicionais são a longa história do país na produção de têxteis e vestuário, assistência técnica da Organização de Comércio Externo do Japão (Jetro) e do Ministério da Economia, Comércio e Indústria do mesmo país e o tamanho do mercado interno (que excede os 60 milhões de consumidores segundo a maior parte das estimativas). Sendo um dos 10 países membros da Asean que estão a trabalhar para criar uma Comunidade Económica Asean até 2015 – juntamente com o Brunei, Camboja, Indonésia, Laos, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia e Vietname – a Birmânia irá também beneficiar do sistema harmonizado de alfândegas e de um mercado único com 600 milhões de pessoas. O país está situado na região ao sul da China que, segundo muitos observadores, irá gradualmente ficar com parte da enorme produção chinesa de bens competitivos pelo preço, como vestuário e calçado. O Sistema de Preferências Generalizado (GSP na sigla em inglês) da União Europeia e o levantamento das sanções tanto pelos EUA como pela UE também deverão ajudar a indústria de vestuário da Birmânia a «conseguir um enorme crescimento», afirma Win Aung, presidente da Federação de Câmaras de Comércio e Indústria de Myanmar. Mas até agora o governo da Birmânia manteve-se silencioso em relação à estratégia para o sector têxtil e de vestuário. Irá o seu foco continuar no CPE (Corte, Produção, Embalagem) ou irá haver o desenvolvimento de uma cadeia de aprovisionamento têxtil e de vestuário competitiva? Mudança democrática Governada desde março de 2011 por um governo híbrido entre militares e civis, a Birmânia irá provavelmente continuar a sua mudança democrática prosseguida pelo reformista Presidente Thein Sein e apoiada pela líder da oposição Aung San Suu Kyi. Mas os desafios para a transição política, económica e social são enormes. Quinze anos de governo militar deixaram a Birmânia como um país muito pobre, afetado pela corrupção e pela burocracia, com fracos sistemas de educação e saúde, bancos frágeis e tribunais questionáveis. Um terço da população vive abaixo da linha de pobreza e três quartos não têm eletricidade. Centenas de milhares de cidadãos sofreram abusos permitidos pelo Estado, muitas vezes direcionados contra minorias étnicas, como trabalho forçado, roubo de terras e raids nas aldeias. E em junho e outubro de 2012, a violência sectária deflagrou na parte ocidental de Myanmar. A empresa britânica de consultoria Maplecroft indicou no seu “Atlas de Risco de Direitos Humanos 2013” que apesar das reformas nos últimos 18 meses, o risco para os investidores estrangeiros preocupados com a sua imagem pública continua «extremamente elevado» na Birmânia. Na segunda parte deste artigo, são analisados mais prós e contras desta economia em desenvolvimento e o seu lugar na cadeia de aprovisionamento do vestuário.