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Um passo à frente

O gigante americano da moda de outdoor The North Face assegurou a liderança do sector desde o momento da sua estreia há 50 anos e assim se mantém no que diz respeito à sustentabilidade, onde afirma estar agora a «dar os primeiros passos».

Adam Mott, diretor para a sustentabilidade da The North Face, revelou que a empresa está a reavaliar e repensar tudo o que faz, tendo por base o que é melhor para o trabalhador, o ambiente e o consumidor. O próximo passo na tentativa de criação de produtos responsáveis surge, agora, no final da cadeia de aprovisionamento.

Com efeito, Mott afirmou que o principal objetivo para o corrente ano passa por encerrar o ciclo da produção de vestuário e calçado, criando um «ciclo contínuo de produtos» que, em último caso, previna a condução de itens não desejados aos aterros.

No mês anterior, a empresa divulgou o objetivo de reciclar mais de 45.000 quilos de vestuário e calçado em 2015, depois de anunciar os planos de expansão do programa “Clothes the Loop” a todas as lojas americanas da marca, numa tentativa de reutilização e reversão de artigos em materiais básicos, utilizáveis na fabricação de novos produtos.

Desde a estreia piloto do programa em 2013, inicialmente aplicado em 10 espaços comerciais da marca, a The North Face reciclou cerca de 7,3 toneladas de vestuário e calçado e agora pretende aumentar esse número, expandindo o programa a todas as 83 lojas e outlets da marca nos EUA.

«É um passo simples para a redução do nosso impacto geral», admitiu Adam Mott, cuja estimativa se baseia na concentração de 2 quilos diários de coleções em todos os espaços comerciais da marca, durante o período de um ano.

A reciclagem têxtil tem um enorme impacto na redução das emissões de gases de efeito de estufa e no consumo de água, explicou o diretor para a sustentabilidade da The North Face, adiantando que, se cada um dos 300 milhões de consumidores americanos reciclasse uma camisola apenas, essa iniciativa conduziria à poupança de 794 mil milhões de litros de água e meio milhão de quilos de dióxido de carbono.

O grupo dedica-se, agora, à criação de uma infraestrutura onde poderá fabricar produtos que converterá, posteriormente, em novos produtos. «Não temos a solução, mas estamos muito atentos a ela na tentativa de trabalhar com esses limites», acrescentou Mott.

Sustentabilidade no design
Uma das principais transformações implementadas pela principal marca do grupo VF Corp inclui a integração da sustentabilidade desde o princípio do processo de criação dos produtos.

Através de estudos de ciclo de vida do vestuário e calçado, a empresa descobriu que a maior parte do impacto ambiental resulta do processamento de materiais e fabricação do produto, que é onde o principal foco desta iniciativa se concentra.

Apesar dos grandes avanços feitos em áreas como a responsabilidade crescente na utilização de químicos ao nível das unidades de fiação, novas tecnologias para redução da quantidade de água utilizada no sector do tingimento e abastecimento de algodão preferencialmente ecológico, incluindo planos de expansão do programa “casaco Denali”, que utiliza algodão ecológico e é uma das melhores gamas de venda da marca, a outros materiais e produtos, a The North Face apercebe-se, também, da necessidade de elevar a fasquia da sustentabilidade e instigar o processo.

Colaboração na origem do sucesso
Assim como integrar a sustentabilidade no processo de design, outra solução estabelecida pela The North Face passa pela criação de parcerias colaborativas. Com uma base de aprovisionamento global, a marca de outdoor trabalha diretamente com os seus fornecedores de tecido num método «relativamente único» na indústria, indicou Mott. Mantém, também, uma relação direta com os seus fabricantes de vestuário, sediados do sudeste asiático, China, América Central e EUA.

Quando uma empresa coopera com parceiros que são especialistas em áreas específicas do desenvolvimento do produto ou design, considera Mott, «começa a perceber que tem de acarinhar essas relações e permitir que se estabeleçam parcerias em vez de uma relação de vendedor e cliente, para que seja bem-sucedida».

Tendo por base essa conceção, a marca observa a forma como os seus produtos são concebidos da perspetiva da cadeia de aprovisionamento. Para os fornecedores, a mensagem transmitida é que, «se quer ser parceiro da The North Face, tem de se juntar a nós nesta jornada para fazer as coisas de forma mais responsável».

Primeiros passos
Mott acredita que a indústria têxtil e vestuário está apenas a iniciar-se na temática da sustentabilidade. «Temos de lidar com isto da mesma forma que lidamos com o desempenho dos nossos produtos; se vamos ser inovadores ou um líder na performance e tecnologia, devemos ser o mesmo na sustentabilidade», referiu.

Apesar de «existir muito mais a fazer», as oportunidades são igualmente entusiasmantes, especialmente porque a nova geração de consumidores irá exigir mais. «Podemos fazer muito mais no que diz respeito à transparência, como fazemos os nossos produtos, quem os faz», concluiu.