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Um problema de qualidade

A produção de têxteis e vestuário nos países asiáticos ainda padece de diversos problemas de sustentabilidade pelos padrões ocidentais, ao nível não só de violações de princípios éticos, com relatos de trabalho forçado e infantil, mas também, em alguns casos, da qualidade e segurança dos próprios produtos.

As questões da ética e da sustentabilidade na cadeia de aprovisionamento continuam a apresentar desafios na Ásia, de acordo com a mais recente análise sobre tendências de produção, qualidade da cadeia de aprovisionamento e cumprimento do fornecedor de serviços de auditoria AsiaInspection.

Uma análise aos dados de 250 mil inspeções, auditorias e testes de laboratório realizados em 77 países em 2016 conclui que o estado da segurança estrutural continua «preocupante», uma vez que 63% das fábricas auditadas pela AsiaInspection no ano passado necessitavam de intervenções. Ao mesmo tempo, o número de empresas que cumpriam os critérios caiu de 41% em 2015 para 37%. Foram encontrados problemas críticos em 3% das fábricas, uma ligeira melhoria em comparação com o ano anterior.

O cumprimento ético também continua a apresentar desafios, afirma a empresa, com apenas um terço das fábricas auditadas em 2016 a cumprir os requisitos. Embora o número de fornecedores com falhas graves tenha baixado para 27% em 2016 em comparação com 41% em 2015, uma grande parte dos fornecedores ainda surge classificado como “Amber”, indicando a necessidade de melhorias a médio e longo prazo.

Entre as principais preocupações éticas estão várias violações laborais, incluindo horas extraordinárias forçadas, assédio sexual, trabalho infantil, trabalho forçado e exploração de refugiados.

O cumprimento ambiental foi também variável entre as cadeias de aprovisionamento mundiais em 2016, com mais de 36% destas auditorias a resultarem num chumbo – um aumento de 5% em comparação com 2015. A AsiaInspection refere que muitas marcas têm como objetivo os padrões mínimos legais aplicáveis no país onde fazem sourcing.

Ainda assim, mais empresas estão a comprometer-se com objetivos de sustentabilidade tanto a curto como a longo prazo, estabelecendo objetivos para 2020 e além.

Em termos de qualidade do produto, as tendências apontam para «resultados preocupantes no geral», embora a situação varie consoante o país e a indústria.

Entre as indústrias abrangidas pelos dados da AsiaInspection, o sector têxtil foi o mais sujeito a problemas de qualidade, com 41,6% dos produtos inspecionados a ficarem abaixo das especificações.

Por país, a qualidade de produção do “made in China” foi comparativamente melhor e manteve-se estável em termos anuais, com 32,4% de todas as inspeções locais a encontrarem mais defeitos do que os permitidos. Já o Vietname registou uma ligeira melhoria, levando a percentagem de reprovação das inspeções para 29%, em comparação com 35,1% no ano anterior.

Prelo contrário, o Sul da Ásia registou uma significativa degradação da qualidade, com a Índia, Bangladesh, Paquistão e outros países a conhecerem um aumento de dois dígitos nas taxas de reprovação nas inspeções.

Os resultados surgem numa altura em que o Sul da Ásia continua a crescer enquanto centro de produção, sobretudo para a indústria têxtil, com a Índia e o Paquistão a evidenciarem um aumento do volume de auditorias e inspeções de 30,5% e 18,2%, respetivamente, em 2016.

A queda no geral nos níveis de qualidade da produção das fábricas também contrasta com resultados promissores nos testes de segurança e performance dos produtos em laboratório. As taxas de reprovação nos testes de laboratório da AsiaInspection desceu 11,4% em 2016, com apenas 3,3% de todos os testes a falharem.

Isto significa que, embora as marcas e produtores tenham ficado melhores a desenhar e conceber devidamente os produtos para cumprirem os padrões internacionais, quando começa a produção em massa surge a maior parte dos problemas de qualidade.

Contudo, uma análise mais atenta aos resultados dos testes de laboratório mostra uma realidade díspar. Por exemplo, à medida que a procura por testes relacionados com o Reach na UE aumentaram este ano, os resultados dos testes não foram tão bons, com as taxas de reprovação a triplicarem em termos anuais.

As taxas de reprovação mais elevadas registam-se nos testes a ftalatos, com 5,4% dos ensaios a não cumprirem as exigências de segurança, revelando potenciais produtos perigosos.