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Um século de inovação

O Campeonato do Mundo de Natação que decorreu em Roma levantou novamente o debate “quente” que dominou os Jogos Olímpicos de Pequim, no ano passado. Com dezenas de recordes mundiais batidos e com os principais nadadores, incluindo Michael Phelps, pouco satisfeitos, a Federação Internacional de Natação (FINA) finalmente interveio. A partir de 1 de Janeiro de 2010, apenas os fatos de “tecidos têxteis” serão permitidos nas competições internacionais e não deverão passar a cintura nem os joelhos para os homens. As novas regras deverão pôr um fim à “queda livre” de recordes mundiais estabelecidos há vários anos, mas vão também condicionar e reprimir a evolução de fatos-de-banho como o LZR Racer da Speedo. Numa viagem ao passado, inspirada pelo estudo do Just-Style sobre o swimwear, podemos rever, em 10 “passos evolutivos”, como os fatos-de-banho progrediram ao longo dos anos até chegarem aos actuais fatos de competição high-tech. Um produto da Antiguidade A primeira evidência da inovação em fatos-de-banho data de 300 a.C., onde os designs não diferiam muito dos biquínis dos dias de hoje. A popularidade do fato-de-banho ficou a dever-se, na altura, à moda dos banhos públicos. Contudo, essa popularidade diminuiu após o colapso do Império Romano e este estilo inovador de swimwear só voltou a ser visto nos anos 40. O regresso no século XX O início do século XX, contudo, marcou o início da inovação como a conhecemos hoje. Os pesados vestidos de lã, as meias e os chapéus usados pelas mulheres europeias nas praias apenas um século antes foram abandonados em favor de uma roupa de banho mais justa, revelando, pela primeira vez desde a Roma Antiga, os joelhos e os braços das mulheres. Uma verdadeira inovação e até revolução, tendo em conta o conservadorismo que vigorava na época. Ajustes para a competição A inovação no swimwear foi também despoletada pela revitalização dos banhos públicos e uma diferença substancial entre o swimwear de competição e de lazer começa a surgir. Empresas como a DuPont e a Speedo começam a criar swimwear em tecidos têxteis justos ao corpo, mas também fatos-de-banho de desporto, com superfícies mais suaves. Nos anos 20, a Speedo estava já bem estabelecida no mundo do swimwear de competição. Para isso contribuiu também o crescente interesse pela natação de competição, que mudou o foco de muitas iniciativas relacionadas com o swimwear do estilo para o desporto. Os loucos anos 20 Os anos 20 e 30 permitiram que as novas atitudes sociais de igualdade impulsionassem as inovações em swimwear. A Speedo revelou os seus primeiros calções de banho sem peito para homem. Ao mesmo tempo, os fatos-de-banho adoptam decotes maiores e os calções tornam-se mais apertados. As pernas foram deixadas à mostra em alguns designs e os fatos-de-banho sem costas deram os primeiros passos. A revolução do biquíni Os anos 40 foram palco para uma das mais controversas inovações de sempre no swimwear. Inventado em França no ano de 1946, o biquíni teve apenas um sucesso moderado na América conservadora. Considerado indecente, muitas mulheres foram presas no final dos anos 40 e 50 por usarem biquínis em praias públicas. O primeiro biquíni da Speedo foi banido das praias australianas no final dos anos 40. O biquíni só começou a ser moda na América a partir de 1957 mas, desde então, a sua popularidade apenas aumentou. Vale tudo (ou nada) A partir dos anos 70, a inovação no swimwear de lazer apoiou-se na máxima de que “menos é mais”. As partes laterais dos fatos-de-banho foram diminuídas ou eliminadas e o corte das pernas ficou acima da anca, resultando em biquínis string. Ao mesmo tempo, aumentou também a popularidade dos calções de banho tipo slip para homem. Ainda mais provocatórios, nasceram designs como tangas e monoquinis. Materiais e forma A segunda metade do século XX registou um rápido desenvolvimento dos materiais usados no swimwear, do simples algodão à poliamida, até à invenção da Lycra em 1973. Desde o swimwear de competição desenvolvido em microfibra aos modelos de poliuretano (no início dos anos 90), os designers travaram uma luta constante com as formas de reduzir o arrasto. Foi a partir daí que a Speedo começou a desenvolver fatos que iriam revolucionar o swimwear. Inicialmente, a empresa começou a fazer experiências com a forma. Numa acção que impulsionou a inovação no início dos anos 90, a Speedo introduziu fatos que cobriam todo o corpo do nadador. Inspirado no estudo da pele do tubarão, o swimwear de competição começou também a partilhar o seu exterior suave, numa tentativa de melhorar a circulação da água à volta do corpo. Fatos de mergulho O fato de mergulho, criado nos anos 50, começou verdadeiramente a tomar forma com o uso de neoprene. Este material mostrou ser um bom isolador, flutuante e flexível. Os fatos de mergulho preservavam o calor do corpo ao aprisionar uma camada de água contra a pele que era aquecida pela temperatura do corpo e agia como isolador. Devido à inovação no uso de materiais e na forma, o design dos fatos de mergulho evoluiu, sobretudo graças ao uso de revestimentos. Nessa altura, os fatos de mergulho passaram de frágeis e pouco ajustados para resistentes e protectores. Uma evolução conseguida com a inovação da poliamida, subsequentemente usada como material de apoio. O aperfeiçoamento das costuras para os “pontos invisíveis” melhorou a performance dos fatos de mergulho, chegando aos seus padrões actuais. Da cabeça aos olhos Os “acessórios” do swimwear foram inicialmente criados como métodos de protecção enquanto se nadava. A touca de natação, por exemplo, surgiu inicialmente para manter o penteado das mulheres. À medida que o swimwear evoluiu, o mesmo aconteceu com os acessórios, as toucas e os recentemente desenvolvidos óculos “low-profile” são agora usados pelos nadadores de competição para eliminar o arrasto. O fato completo Fastskin LZR Racer Este fato controverso é, provavelmente, uma das maiores inovações do swimwear. Desenhado com a ajuda da Nasa e produzido pela Petratex com tecnologia no-sew em Portugal, abalou as competições de natação nos Jogos Olímpicos de 2008, quando foram batidos 40 recordes mundiais. O LZR Racer mostrou uma grande evolução em relação aos fatos anteriores, da Speedo ou outras marcas, mas enfatizou ainda mais o debate na modalidade sobre as vantagens (injustas) concedidas àqueles que o usam. Recentemente, o Speedo LZR (50% em poliuretano) foi ultrapassado por fatos feitos em 100% poliuretano, o que os torna completamente repelentes à água. Estes fatos permitiram a queda de mais 43 recordes mundiais, que foram verdadeiramente pulverizados no Campeonato do Mundo em Roma, e resultaram na proibição da FINA de utilização de fatos não-têxteis nas próximas competições.