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Uma colecção única

A última colecção desenhada pelo estilista britânico foi apresentada, no passado dia 9 de Março, numa sessão fechada e privada em Paris, mais propriamente no salão da sede do grupo PPR, que detém a marca criada por Alexander McQueen.. Apesar, dos meios de comunicação noticiarem constantemente que o jovem criador se mostrava, na altura, deprimido na sequência da morte da sua mãe, tendo acabado por se suicidar, a sua colecção para o Outono-Inverno 2010/2011 revelou alegria e fantasia através de peças repletas de teatralidade e cor. Quinze looks, que estavam apenas cortados, foram finalizados pela equipa de criação que trabalhava com McQueen e apresentados ao som de uma banda sonora que relembrava uma ópera, acusando algumas lágrimas entre os convidados presentes. A colecção apresentou ainda, referências à arte bizantina. «Foi uma grande experiência olhar para esta colecção tão profunda e séria. As peças apresentadas demonstraram todo o talento único de Lee [o primeiro nome de McQueen] em criar peças de beleza que tocam os sentidos, deixando-nos enriquecidos. Apesar do sentimento de perda, achei esta colecção totalmente esmagadora», afirmou Robert Polet, presidente e CEO do grupo Gucci, cujo portefólio inclui a marca Alexander McQueen. No desfile destacaram-se peças como um casaco de penas douradas que cobria parte de uma suave saia branca pregueada; um longo casaco vermelho que era enfeitado com milhares de discos dourados que farfalhavam a cada passo da modelo e uma capa veneziana preta totalmente bordada, que evocava mistério. «Todas as peças foram inspiradas e desenvolvidas por Lee e todos os moldes foram cortados por ele», revelou Jonathan Akeroyd, chefe-executivo da marca Alexander McQueen. O criador, que era conhecido como um rebelde, tinha já visualizado um espectáculo extravagante para apresentar esta colecção. Porém, após o seu suicídio, os responsáveis pela marca optaram por realizar o desfile num ambiente contido numa mansão discreta próxima ao rio Sena. «À luz do que aconteceu, decidimos que esta seria a melhor maneira de apresentar o desfile», explicou Akeroyd. A apresentação teve acesso restrito a fotógrafos, tanto que as principais agências não disponibilizam imagens do evento, que finalizou com a apresentação da expressão «each piece is unique, as was he» [cada peça é única, tal como ele próprio].