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Uma década de crescimento para a t-shirt

A t-shirt continua a ser uma peça essencial no guarda-roupa de cada vez mais pessoas em todo o mundo, seja para usar no dia a dia ou na prática de desporto. Embora com uma descida em 2019 e a expectável de queda em 2020 por causa da pandemia, o mercado deverá crescer nos próximos 10 anos.

[©Pixabay/Karol Olson]

A estimativa de crescimento é da IndexBox e está publicada no estudo World – T-Shirts – Market Analysis, Forecast, Size, Trends and Insights, que revela que em 2019, o mercado mundial de t-shirts diminuiu 3,5%, para 88,5 mil milhões de dólares (cerca de 73,2 mil milhões de euros), a primeira queda desde 2016, pondo fim a uma tendência de crescimento de dois anos.

No geral, o consumo, contudo, registou uma relativa estagnação. A taxa de crescimento mais proeminente foi registada em 2018, com uma subida de 5,2% em comparação com o ano anterior, com o consumo a atingir, nesse ano, o nível mais alto de 91,7 mil milhões de dólares.

Os países com os volumes mais elevados de consumo de t-shirts em 2019 foram a China (4,4 mil milhões de unidades), os EUA (2,9 mil milhões de unidades) e a Índia (1,8 mil milhões de unidades), que em conjunto representam 36% do consumo mundial. Seguem-se o Japão, o Paquistão, a Indonésia, o Reino Unido, a Nigéria, o Bangladesh, a Alemanha, o México, a Etiópia e a Turquia, que juntos têm, de acordo com as estimativas da IndexBox, mais 22% do mercado.

Em valor, a China, com 12,9 mil milhões de dólares, lidera sozinha o mercado. A segunda posição é ocupada pelos EUA, com 6 mil milhões de dólares, e a terceira pela Índia.

No consumo per capita, os países no topo da lista em 2019 são o Reino Unido (9 t-shirts por pessoa), os EUA (também 9 unidades) e a Alemanha (seis unidades por pessoa).

Potencial explosivo

Segundo a IndexBox, «as t-shirts constituem um dos principais bens de consumo da categoria de vestuário para utilização diária». A empresa de pesquisa de mercado refere ainda que «um outro impulso à procura vem do desporto e atividades de outdoor, da utilização pessoal aos equipamentos das equipas profissionais».

[©Pxhere]
Por outro lado, refere, «o consumo de t-shirts vai além da necessidade essencial e depende de tendências de moda e da vida social. Por isso, o consumo de t-shirts deve seguir o crescimento da população mundial e do rendimento dos consumidores, que depende em grande parte do desenvolvimento económico geral».

De acordo com o estudo, o motor de crescimento do consumo de t-shirts varia em termos de região. Nos EUA, por exemplo, a tendência do fitness continua a impactar o consumo de t-shirts, com a necessidade de conforto atlético a ser um fator importante no processo de compra. A atual tendência de usar activewear e vestuário casual deverá persistir e, como tal, «t-shirts com uma mistura de moda e funcionalidade vão continuar a ter uma boa performance» nos próximos anos. Além disso, as principais marcas de sportswear continuam a lançar novas gamas de produto, direcionadas diretamente para os consumidores.

A IndexBox destaca que as mudanças de tendências de consumo são igualmente relevantes para o mercado de t-shirts da União Europeia: estão a ser lançadas novas variações e modelos, assim como versões mais ecológicas em diferentes categorias de t-shirts.

«O consumo de t-shirts na Europa deverá crescer devido ao aumento da consciência dos consumidores em relação às t-shirts e ao aumento do poder de compra da população jovem e adolescente», sublinha a IndexBox.

Já o mercado asiático de t-shirts deverá ter um forte crescimento, com o número de consumidores na região a aumentar todos os anos. Mudanças do estilo de vida, em combinação com níveis mais elevados de rendimento disponível e a atual procura por artigos de acordo com as tendências de moda estão a encorajar o crescimento rápido do mercado na Ásia. Outro grande impulsionador por detrás deste crescimento é a rápida urbanização, acompanhada por um aumento de popularidade do estilo de vida ocidental. Além disso, devido à mão de obra mais barata, «os países asiáticos continuam a ser centros mundiais fundamentais da produção de t-shirts, pelo que as t-shirts estão muito disponíveis», destaca o resumo do estudo.

Pandemia trava mas não para

A pandemia que se disseminou em 2020 deverá, contudo, travar o desenvolvimento económico, com o Banco Mundial a antecipar um declínio do PIB de 4,3%. O sector de bens de consumo está vulnerável, uma vez que devido às medidas de quarentena, sectores económicos inteiros foram colocados em pausa e a queda nos rendimentos deverá impedir o crescimento do consumo. Além disso, a pandemia levou ao encerramento das lojas, o que minou as vendas de vestuário, t-shirts e outros bens de consumo.

[©Pxhere]
Como tal, os centros de produção mundiais na China e noutros países asiáticos estão a enfrentar «um duplo desafio», aponta a IndexBox. «Tal como outras, as empresas de t-shirts tiveram de parar as operações durante o surto da pandemia. Depois, quando a China começou a aliviar o confinamento, as empresas sofreram o aumento do número de cancelamentos de encomendas de clientes estrangeiros que sofreram o seu confinamento um mês depois e, como tal, foram incapazes de vender ou receber produtos. Isto, por sua vez, pode ter levado a um excesso de stocks nos armazéns dos produtores, o que colocou uma pressão adicional nos preços», explica a empresa de pesquisa de mercado. Dessa forma, quando a procura regressar ao crescimento, a retoma na produção pode ser adiada até os stocks serem vendidos, levando a uma recuperação mais lenta do mercado.

Tendo isso em conta, «espera-se que em 2020, o consumo mundial de t-shirts tenha baixado face a 2019. A médio prazo, à medida que a economia mundial recupera dos efeitos da pandemia, o mercado deverá crescer gradualmente, impulsionado por um crescimento da população, recuperação dos rendimentos e a substituição das t-shirts desgastadas, juntamente com a intenção do consumidor de comprar algo novo depois de um período de limitações», prevê o estudo.

Entre 2019 e 2020, a IndexBox estima que o mercado de t-shirts cresça a uma taxa anual composta de 1,1%, elevando o volume do mercado para 29 mil milhões de unidades no final de 2030.