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Uma nova tendência no aprovisionamento? – Parte 2

A recente decisão, por parte da Liz Claiborne, em subcontratar todo o seu aprovisionamento à Li & Fung (ver Uma nova tendência no aprovisionamento? – Parte 1) leva Mike Flanagan, director-executivo da Clothesource Sourcing Intelligence, a questionar a razão de existência dos gabinetes de compras em diversos retalhistas e marcas de vestuário. As principais marcas e retalhistas da actualidade acreditam, segundo Flanagan, que podem realizar as compras de diversas formas, mas impõe regras comuns para o controlo da qualidade e o cumprimento da regulamentação ética, independentemente de quem efectivamente faz a compra. E a tendência não é certamente no sentido de eliminar as operações de aprovisionamento. No mês anterior ao da Liz Claiborne decidir acabar com o seu departamento de compras, outras grandes empresas de vestuário tomaram decisões completamente diferentes. A Metro, o gigante alemão de retalho generalista, passou de uma central de compras para uma organização em que as compras estão delegadas às suas principais divisões operacionais. Por outro lado, a Phillips-Van Heusen reorganizou-se de forma a centralizar todas as compras da empresa. De qualquer modo, as próprias organizações retalhistas raramente permanecem com o mesmo modelo de aprovisonamento durante muito tempo. Na altura em que o negócio entre a Li & Fung e a Liz Claiborne estava a ser anunciado, o novo chefe da germânica Arcandor, Karl-Gerhard Eick, disse aos accionistas da sua empresa que uma cisão do negócio não era de todo impossível. Neste caso, se a sua Primondo (ex-Quelle), divisão de encomendas por correspondência, for separada das suas lojas de departamento Karstadt, continuariam as duas a querer fazer o seu aprovisionamento através da Li & Fung? As diferentes políticas de aprovisionamento dos retalhistas são fundamentalmente accionadas pelas prioridades das empresas e não por qualquer grande movimento global baseado nos méritos relativos de uma estratégia de aprovisionamento em detrimento de outra. A Liz Claiborne, por exemplo, deixou de estar totalmente centrada na marca Liz Claiborne. Gerir uma carteira de marcas diferentes requer algumas decisões difíceis, como quais os serviços que a empresa central deve fornecer para o funcionamento de toda a estrutura organizacional e o que deve ser aprovisionado a partir de uma fonte terceira. Além disso, a própria Li & Fung tem alterado as regras do jogo, oferecendo-se para comprar as operações de aprovisionamento de retalhistas, em troca de elevadas somas de dinheiro. Sejam quais forem os argumentos estratégicos para o aprovisionamento a partir de terceiros, estes normalmente podem parecer muito fortes para um retalhista que está a tentar corrigir uma folha de balanço vulnerável durante uma recessão e encontra alguém que lhe acena com 100 milhões de dólares. Quais são os argumentos estratégicos? é muito pouco provável que existam argumentos estratégicos no que se refere simplesmente aos custos do produto em causa. A Li & Fung cobra tipicamente taxas em torno dos 5% do custo das peças de vestuário que compra e aufere de um lucro líquido antes de impostos de 2 a 3%. O custo de funcionamento de escritórios de compras em todo o mundo pode ser mais barato para a Li & Fung – e, como a empresa está agora entre os maiores compradores de vestuário do mundo deve certamente conseguir negociar os preços com as fábricas, à semelhança do que fazem os retalhistas de vestuário com um volume de negócios de “apenas” 5 mil milhões de dólares ou mais. Mas é improvável que alguém venha a saber ao certo quanto a Li & Fung arrecada. Os argumentos para a transferência das compras para um agente terceiro podem ser mais complexos do que apenas uma redução de 5% no custo de uma t-shirt Na terceira parte deste artigo, Mike Flanagan analisa os diversos argumentos estratégicos que favorecem a subcontratação do aprovisionamento.