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Uma semana para o vestuário e calçado

Carlos Tavares fez uma verdadeira «maratona» pelo país, nos passados dias 23, 24 e 25 de Março, no âmbito da «Semana das Marcas – Vestuário e Calçado». O objectivo desta iniciativa, como já foi referido emartigo anterior, foi dinamizar o aparecimento de marcas nacionais nos sectores do vestuário e do calçado com capacidade de penetração nos canais de distribuição, em Portugal como no estrangeiro, contribuindo para fazer subir o peso das exportações no PIB de 30% para 40% dentro de no máximo sete anos.

Esta meta foi definida pelo ministro e espera-se que para tal contribua o Programa de Marcas Portuguesas Comércio. As candidaturas já apresentadas serão avaliadas peloNúcleo Empresarial de Promoção Externa(NEPE) e pelo recém-empossado Conselho das Marcas, presidido por Madalena Torres. A adesão está a revelar-se positiva: já entraram cerca de quatro dezenas de candidaturas de apoio à promoção de novas marcas de onze sectores de actividade, embora mais de 50% digam respeito à moda e ao calçado.

Neste contexto, a semana abriu dia 23 de manhã, com a apresentação oficial do Conselho das Marcas. Este conselho, de índole consultiva, irá trabalhar em ligação próxima com o Gabinete de Marcas Portuguesas, e é mais um passo para a internacionalização das marcas portuguesas, apresentando sugestões no sentido de melhorar o programa de promoções e emitir pareceres sobre a permanência das empresas utilizadoras do programa de marcas. Espanha, França, Alemanha e Reino Unido, a par de Portugal, são os mercados-alvo, numa iniciativa com um prazo de desenvolvimento a dois anos, e que conta com um investimento total de 6,5 milhões de euros, financiado pelo Prime.

 

No Conselho das Marcas destacam-se empresários como José Alexandre de Oliveira, da Riopele, Fortunato Frederico, da Fly London, Paulo Pereira da Silva, da Renova, Salvador Guedes, da Sogrape, Pires de Lima, da Compal, Adolfo Roque, da Revigrés, Nuno Jordão, da Continente, Herman Birg, da Vulcano, José Jordão, da SPAL, e Pais de Sousa da Vista Alegre.

De tarde, Carlos Tavares visitou o atelier de Fátima Lopes, no Bairro Alto, em Lisboa, que já encetou o caminho da internacionalização. Depois o ministro da Economia esteve no atelier deManuel Alves/José Manuel Gonçalves, que anunciaram a intenção de se internacionalizar, após alguns investimentos na divulgação e notoriedade da marca. O atelier teve um volume de negócios de 1,2 milhões de euros em 2003, segundo dados do Ministério da Economia.

Também a Lanidor foi uma das escolhas do programa. O grupo de moda e acessórios femininos aumentou as vendas em cerca de 10% em 2003. Por cá, a Lanidor tem 28 lojas próprias e 44 franchisadas, mas está já em Espanha com 22 espaços, no Brasil com dois e na Arábia Saudita com um.

No dia seguinte, Carlos Tavares rumou a Norte, eem São João da Madeira, durante a visita à Basilius, empresa de calçado, que exporta 99% da sua produção para a França, Inglaterra, Alemanha e Holanda, insistiu na necessidade de «apostar na qualidade, design e marca». O presidente da empresa, Basílio Oliveira, adiantou que pretende reforçar o peso da marca própria, em detrimento da produção para outras marcas, como a Kookai e a River Island.

O atelier Miguel Vieira, tambémemSão João da Madeira, foi a segunda visita do dia. Miguel Vieira aposta na criatividade para dar a conhecer as marcas portuguesas no exterior, através de mostras internacionais como a Gaudiem Espanha. Com uma facturação anual de 20 milhões de euros, a empresa produz vários tipos de artigos, como calçado e marroquinaria, e pretende ainda aumentar o âmbito da sua actividade com o lançamento de uma linha escola e com o investimento na área do mobiliário, estando prevista já para o próximo mês a inauguração de uma loja homestyleem Matosinhos. Carlos Tavares aplaudiu este tipo de abordagem, afirmando que além se «fazer bem, tem que se fazer diferente».

Durante a visita do ministro da Economia à empresa de calçado a Aerosoles, em Esmoriz, que em 2003 obteve um volume de vendas acumulado de 134 milhões de euros, os seus responsáveis anunciaram o plano de expansão, através de lojas próprias de franchisadas. Prevê a abertura de 120 novos postos de venda até 2007, reforçando a sua posição em França, onde já iniciou contactos para abrir mais lojas, nomeadamenteem Paris. Pretende também alargar a comercialização para a Alemanha (Friburgo) e a Grécia (Atenas, ainda antes dos Jogos Olímpicos), contando também expandir já este ano para o Médio Oriente e Europa de Leste. Hoje, o grupo é responsável por 5% das exportações nacionais de calçado. No campo da produção, a Aerosoles prevê um crescimento da sua capacidade actual de cinco milhões de pares de sapatos para sete milhões, em2009. AAerosoles é detida pelo grupo Investvar, que afirma ser o maior grupo português de calçado, criado em 1985. Há seis anos, tornou-se responsável pela gestão da cadeia de lojas da marca norte-americana Aerosoles para a Europa, África e Médio Oriente, cujo arranque foi co-financiado pelo Fundo para a Internacionalização das Empresas Portuguesas (FIEP). Hoje, o grupo agrega a Investvar Industrial (com dez fábricas), a Investvar Comercial (que trata o negócio da distribuição) e a ABD Investimentos e Participações, responsável pelo negócio de calçado multimarca.

Já no Porto, a Onara abordou essencialmente a sua estratégia em termos de expansão, afirmando os seus responsáveis que mantêm a intenção de abrir mais lojas em Espanha.

 

Na parte da tarde, a comitiva do ministro da Economia deteve-se nas empresas Maconde e Impetus. Na Maconde, o ministro da Economia teve oportunidade de visionar o desfile de Nuno Gama na Pasarela Gaudi para a estação Outono/Inverno 2004/2005. Uma colecção na qual o estilista afirma que «deixei os tecidos falarem», e cuja comercialização já está confirmada em Portugal, Espanha, Escandinávia, México e Austrália. A Maconde aposta fortemente no talentoso criador, cuja primeira colecção desta parceria foi lançada na passada estação Outono/Inverno 2003-2004.

 

A jornada de Carlos Tavares terminou na Impetus, onde foi recebido pelo presidente da empresa, Alberto Figueiredo. O presidente da Impetus apresentou as actuais orientações da empresa, que passam nomeadamente pelo controlo da distribuição nos EUA com a criação da Impetus USA e pelo lançamento da marca no universo feminino – Impetus Woman, assim como pela deslocalização da produção dos artigos básicos para Cabo Verde, «pois Portugal não pode competir com a China ou a Índia neste segmento». A Impetus, o maior fabricante de roupa interior “made in Europe”, exporta hoje cerca de 30 milhões de euros, dos quais 60% sob marca própria. «Queremos fazer moda interior a preços competitivos», sustenta Alberto Figueiredo.

Dia 25, Carlos Tavares começou o dia em Barcelos na Tebe, empresa que está já a produzir e comercializa a marca Petit Patapon, desenvolvida pela Distebe, empresa do grupo. A empresa, que está já a produzir duas linhas de têxteis técnicos com protecção solar e anti-mosquito para a marca de vestuário infantil, iniciou em 1999 um processo de expansão internacional, preparando-se para abrir a sua 100ª loja. O grupo abriu recentemente mais três lojas Petit Patapon em Itália, país onde já detém 35 espaços, mas onde pretendem igualar o número de lojas nacionais, como ponto de partida para conquistar o resto da Europa, segundo o presidente da Tebe, François Gros. Em 2003, o grupo facturou 25 milhões de euros e prevê um incremento do volume de negócios baseado em novas áreas de negócio, como o desenvolvimento têxteis técnicos. O grupo Tebe produz ainda vestuário para a Armani, Levis, Diesel, Dorna Karan e lnditex (Massimo Dutti) e exporta 90% da sua produção. Actualmente, é formado por seis fábricas em Portugal, uma na Polónia e outra na Roménia, empregando 700 trabalhadores.

Em Guimarães, o ministro visitou a Kyaia, empresa responsável pela marca de calçado Fly London. O seu presidente, Fortunato Frederico, afirmou que actualmente, apenas 3% do volume de negócios da marca de calçado Fly London é obtida no mercado nacional, sendo o Reino Unido o mercado mais relevante. O calçado Fly London representa perto de 50% do volume de negócios da Kyaia e no ano passado vendeu 7,8 milhões de euros, dos 19 milhões facturados pela empresa.

Por último, o ministro da Economia deslocou-se à empresa têxteis-lar Coelima, em Pevidém, que segundo João Seabra, presidente da empresa, pretende aumentar a contribuição das marcas próprias na facturação do grupo dos actuais 35% para 50% e que está a preparar um investimento de três milhões de euros em comercialização, logística e acabamentos.

De tarde, Carlos Tavares esteve no Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e do Vestuário de Portugal (Citeve), em Famalicão, que comemorava o seu 15º aniversário, e onde inaugurou novas instalações e assistiu à apresentação de projectos «âncora» para a indústria, que prometem reforçar a competitividade da ITVC no mercado internacional: o Centro de Moda, o Centro de Competências em Nanomateriais e o Centro de Recursos do Conhecimento. O Centro de Moda terá como principal missão a produção de informação, opinião e influência que facilite às empresas ter uma maior actividade de desenvolvimento de colecções. A estrutura, que alargará o seu raio de acção à área dos têxteis-lar, só deverá estar operacional no último trimestre do ano, mas o Citeve irá, já a partir do próximo dia 1 de Abril, absorver o gabinete de moda da Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confecção (ANIVEC/APIV), cujos recursos humanos se juntarão aos da unidade de moda e design do Citeve. Antes do final do ano, o Citeve deverá ter também no terreno um inovador, com o Centro de Competências em Nanomateriais para os sectores têxtil e do vestuário. A criação da unidade, cujo conceito foi desenvolvido para o centro tecnológico pelo sueco Roshan Shishoo, um especialista europeu na área têxtil, representa um passo decisivo para acompanhar e colocar à disposição das empresas nacionais os avanços na área da transformação de materiais, que representam a chave da competitividade da indústria na Europa. Quanto ao Centro de Recursos do Conhecimento, terá como missão a recolha e produção de informação relevante para o negócio das empresas.

No encerramento da sessão, o ministro da Economia afirmou que as ITVC já estão a dar sinais de, para além da produção, saber vender e dominar os canais de distribuição, condição fundamental para enfrentar os desafios concorrenciais.”Estou convencido que com o caminho que as empresas estão a trilhar, teremos brevemente resultados mais fortes do que nunca”, afirmou o governante. «Com as respostas que hoje em dia já temos dos nossos empresários estamos capazes de criar e vender bem», assegurou Carlos Tavares, satisfeito por muitas «marcas já estarem a traçar este caminho», como que fazendo um balanço da «Semana das Marcas – Vestuário e Calçado».