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Undandy calça 140 países

Produzido em São João da Madeira, o calçado personalizado da marca masculina já chegou a 140 mercados. Portuguesa, digital e feita à medida, a Undandy permite aos clientes desenharem online o seu próprio par.

Rafic Daud

A insígnia masculina de calçado nasceu em 2015, pela mão de Gonçalo Henriques e Rafic Daud. «A nossa ideia surgiu para combater uma necessidade. A customização em massa já era uma tendência e por que não fazer isto num país com uma indústria como a portuguesa?», começou por questionar o CEO da Undandy, Rafic Daud, enquanto orador da conferência “O Futuro da Moda”, que se debruçou precisamente sobre as necessidades dos consumidores do futuro.

Rafic Duad explicou que havia «uma necessidade de consumo. Tivemos que revolucionar a indústria para aquilo que acho que é o futuro da moda. Fazemos quatro mil pares distintos por mês. A indústria não estava preparada». Por consequência, a empresa planeia inaugurar, possivelmente ainda este ano, em São João da Madeira, em parceria com o grupo ERT, uma fábrica para fazer calçado à medida. «O made to order não era compatível com a maior parte da indústria portuguesa. Foi uma necessidade. Tivemos que procurar os parceiros certos que nos conseguissem criar uma espécie de indústria do futuro», revelou ao Portugal Têxtil.

No website da Undandy, o consumidor desenha o seu próprio par, podendo escolher o modelo, a cor e o material ao fazer o pedido. «Nós efetivamente produzimos aquilo que o consumidor quer. Não há excessos. Há uma necessidade de ser único e nada melhor do que a customização. Não faz sentido forçar a nossa visão. Os clientes é que escolhem», afirmou Rafic Daud.

O crescimento da Undandy, que exporta 99% do que produz, está alicerçado em mercados como EUA, Canadá, Reino Unido, Austrália e Alemanha. Em 2016, o volume de negócios atingiu os 300 mil euros, crescendo para 2 milhões de euros em 2017 e para 4,5 milhões de euros em 2018. Em 2019, a Undandy quer atingir os 10 milhões de euros. «Ainda temos muito para crescer», assegurou o CEO.

A loja enquanto experiência

A produzir em São João da Madeira e com escritórios em Lisboa, foi precisamente no Chiado que a Undandy inaugurou recentemente uma loja pop up. «O consumidor ainda não está totalmente digital. A loja enquanto conceito não vai desaparecer. Antes de criar a marca trabalhei em retalho e, pela primeira vez, abri uma loja onde estimo vender zero», conta. Em vez disso, com a loja pop up, Rafic Daud pretende criar «conteúdo qualitativo e quantitativo para capturar a atenção dos consumidores. Preciso de chegar a outro tipo de consumidores. Fomos precisamente para um local com muitos estrangeiros e numa altura de grande turismo», justificou.