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Under Armour no trilho do 3D

Embora tenham uma sola intermédia impressa a três dimensões (3D), as novas sapatilhas Architech da Under Armour mostram quão longe as marcas e as empresas estão da realidade do calçado personalizável em grande escala.

Há anos que se anuncia a revolução da impressão 3D no calçado. Todavia, a antevisão desta revolução ficou circunscrita a um reduto de utilizadores, na sua maioria desportistas, analisa a Fast Company.

No mês passado, a Under Armour revelou as Architech, umas sapatilhas de performance com uma sola intermédia impressa em 3D, desenhadas para ajudar os atletas a manter a estabilidade, por exemplo, no levantamento de pesos no ginásio, e, ao contrário de outros modelos, é realmente possível comprar e calçar um par de Architech. No entanto, a impressão de calçado a três dimensões em grande escala ainda está longe de ser uma realidade. Eis os principais motivos.

Processo de fabrico

Atualmente, quer o consumidor procure sapatilhas baratas da Keds ou modelos de primeira linha da Nike, todos são produzidos praticamente da mesma forma.

Em primeiro lugar, as partes que constituem a sapatilha são cortadas numa prensa hidráulica e as partes da sapatilha mais elaboradas, como as solas, são produzidas em moldes. Depois de todas as partes da sapatilha serem criadas, são cosidas em conjunto numa linha de montagem, peça a peça.

É um processo que funciona bem, dezenas de milhões de vezes por ano, mas que não permite a customização. O processo de produção da sapatilha trata cada pé como se fosse mais ou menos igual. E é por isso que os fabricantes de calçado estão tão entusiasmados com a impressão 3D.

Imprimir a totalidade do calçado a 3D não faria muito sentido – até porque seria altamente dispendioso –, mas imprimir apenas a sola permitiria, pelo menos em teoria, personalizar cada sapatilha para o pé do seu utilizador.

A intervenção da Under Armour

Com esta informação em mente, as Architech da Under Armour não procuraram a impressão total em 3D. Em vez disso, as sapatilhas são fabricadas de forma convencional, exceto nas solas intermédias.

Ainda assim, a Under Armour admite não estar pronta para a produção em massa dos modelos: cada um dos 96 pares de Architech foi fabricado no laboratório de inovação da marca, em Baltimore, e as solas intermédias ainda não estão a ser personalizadas.

A Under Armour, que está a vender os pares a 300 dólares (aproximadamente 254 euros), não revela, sequer, pormenores sobre o lucro das Architech. «É uma estrutura de custos diferente», refere o vice-presidente de calçado de treino da Under Armour, Chris Lindgren.

As Architech são, assim, uma espécie de declaração da marca. «Estamos a tentar colocar o nosso pé nestas águas, não a um nível de compromisso com a tecnologia, mas para ver como os consumidores reagem e o que podemos aprender com eles», sublinha Lindgren.

Produção em grande escala

A impressão 3D continua a ser uma tecnologia mais lenta do que a modelagem e mais propensa a erros, o que pode resultar numa perda de tempo considerável quando um objeto impresso a 3D não tem o resultado esperado.

Parte do problema é o facto de as fábricas na Europa, no Sudeste Asiático e na América do Sul, onde a maioria dos sapatos é fabricado, não estarem equipadas com a tecnologia necessária, devido, em parte, aos custos que o 3D acarreta.

Mas há uma outra questão em jogo, de acordo com o diretor de pesquisa de design da Autodesk, Mark Davis, que muniu a Under Armour da tecnologia usada para transformar as Architech em realidade. Ainda que as fábricas tenham a tecnologia necessária à impressão 3D, há falta de pessoal qualificado. «A experiência para trabalhar com estas máquinas ainda é algo raro», argumenta Davis. «E não há nenhum atalho para obtê-la», acrescenta.

O futuro

A este propósito, Chris Lindgren refere que só daqui a 10 anos a impressão 3D poderá ser uma parte fundamental de todas as fábricas de calçado desportivo. Em vez de apenas entrar numa loja e experimentar um novo par de sapatilhas, o consumidor poderá fazer o download de uma aplicação e, em seguida, usá-la para fazer o scan correto da forma do seu pé. Essa verificação será depois enviada para a nuvem onde é emparelhada com um software de design, como o Autodesk Within, para criar uma sola intermédia específica para a fisionomia de cada pé.

Em última análise, a impressão 3D não deverá baixar os preços do calçado num futuro próximo, mas o oposto poderá ser uma realidade. A impressão 3D provavelmente vai abrir novos caminhos de lucro para as empresas como a Under Armour, resume a Fast Company.