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Único no Momento: nascer a 13

A história começou por ser contada com uma máquina de costura antiga e deixou-se escrever na bainha das calças. Mas a paixão de Carlos Medeiros pelo trabalho com o burel acabou por se juntar ao lado comercial e empresarial de Elsa Gonçalves e nasceu uma marca que remexe arquivos, mas não deixa de dar notícias.

«Inicialmente, comercializávamos pequenas peças em algodão, como porta-chaves, porta-moedas e bonecos», recorda Elsa Gonçalves, a responsável pelo lado comercial da Único no Momento, marca que gere ao lado do marido, ao Portugal Têxtil. Com as vendas em crescendo e «por insistência de alguns amigos e clientes», a dupla começou a explorar o burel, pela sua «qualidade e tradição», sempre a partir de casa «inicialmente pequenas peças e mais tarde as capas, casacos, calções, coletes, acessórios para o lar, etc.», enumera.

No ano de 2013, os dois fundadores consideraram que estava na altura de registar a marca e criar o website para a Único no Momento, nome que surgiu «no momento e também devido a encomendas específicas, personalizações em que muitas ideias acontecem naquele momento». No ano seguinte, Carlos Medeiros fez várias feiras de artesanato pelo país no sentido de promover a marca e estudar o mercado.

Em 2015, Elsa Gonçalves e Carlos Medeiros sentiram a necessidade de “sair de casa”. «Fomos, então, para uma loja num pequeno centro comercial fazer um teste», conta Elsa Gonçalves. Com a conquista de um espaço próprio, surgiu também o reconhecimento das entidades locais, com a participação, a convite da Câmara Municipal de Montalegre, em várias feiras de artesanato, aquém e além-fronteiras. Uma parceria entre a ADERE-PG e a Câmara Municipal de Montalegre levou, em abril de 2015, a Único no Momento à Grécia, para «dar a conhecer alguns projetos de artesanato português e comparar a situação do artesanato nos países participantes, isto é, Portugal, Grécia, Bulgária, República Checa, Croácia, Grã-Bretanha e Itália», revela Elsa Gonçalves.

Este mês de junho, as dores de crescimento da Único no Momento motivaram uma segunda mudança de instalações, para um local mais visível e central, que abriu portas, claro, no dia 13. Porque, como explica a fundadora da marca, «apesar de muita da faturação ser online, queremos ser um “postal” de Montalegre», vila do distrito de Vila Real conhecida por comemorar, desde 2002, todas as sextas-feiras 13.

Batizado Oficina do Burel, o espaço de venda junta-se ao canal online e oferece desde almofadas a bolsas, passando pelas tradicionais capas, em cerca de 50 encomendas mensais que chegam, a par do território nacional, de países como Suíça, Luxemburgo, França e Finlândia.

«Temos a secção de homem com casacos, coletes e sobretudos e alguns acessórios como botões de punho. A secção de criança, com capinhas bordadas com capuz para as meninas e canadianas para os meninos. A secção de senhora, que é bastante vasta e inclui capas, casacos, coletes, saias, calções, cintos, bijuterias e carteiras. E ainda a secção casa, com abajures forrados a burel com diversas técnicas ou almofadas», aponta Elsa Gonçalves que destaca ainda a parceria com artesãos locais para o desenvolvimento de mantas em lã, peças tricotadas em lã pura de ovelha (gorros, caneleiras, luvas) e das “Barrositas” (bonecas que tentam recriar o vestuário de tempos antigos no norte do país) e a secção de bebé, com artigos como porta-chupetas ou fraldas, que não recorrem ao burel, mas que continuam a apostar na personalização. O leque de preços é tão vasto como a oferta, podendo variar de 1,50 euros para ganchos a 150 euros para capas.

Ainda que o burel seja um material de origem serrana, 100% lã e ideal para as intempéries, a marca tem vindo a colmatar a sua sazonalidade com o desenvolvimento de «artigos de decoração em burel e produtos de bebé em algodão, que acabam por ajudar nas épocas de calor», bem como de acessórios de mulher, como bolsas e clutchs. No entanto, no verão, as vendas não conhecem quebras, «muito também pela população emigrante e turistas» que visitam a vila e procuram pelos laços que as une ou lembra da região.

A qualidade do trabalho artesanal da Único no Momento faz com que as peças desenvolvidas sejam verdadeiros “objetos de museu”, com artigos à venda nos espaços do Ecomuseu de Barroso, em Montalegre.

«Fazer crescer a marca e o seu reconhecimento» são os dois eixos de futuro da Único no Momento, que tem na chegada aos países nórdicos e na contratação de colaboradores as suas próximas investidas.