Início Arquivo

Uniqlo abre lojas no Bangladesh

A Uniqlo, detida pela japonesa Fast Retailing Co, está a abrir duas lojas no Bangladesh, um país reconhecido como centro de aprovisionamento de baixo custo para muitos retalhistas internacionais, mas onde, até agora, estes não vendiam as suas roupas. Dentro dos limites muito iluminados da maior das duas lojas da Uniqlo em Daca, os funcionários correm freneticamente entre pilhas de vestuário fabricado exclusivamente para o mercado local, para acrescentar os retoques finais antes da grande abertura. O retalhista japonês, numa aliança com o Grameen Bank do Bangladesh, fundado por Mohammad Yunus (galardoado com o Prémio Nobel da Paz), ousou aventurar-se num mercado de retalho estimado em 70 mil milhões de dólares, intocado por cadeias globais, onde cerca de 30 milhões de pessoas compõem a faixa de rendimento médio. Com 90 metros quadrados, a loja de Daca está muito longe das lojas de grande formato da Uniqlo noutros locais e os stocks são principalmente de moda masculina – as mulheres no Bangladesh, um país de maioria muçulmana, ainda preferem usar roupas tradicionais. Um grupo de estudantes universitários, que olhavam com curiosidade para a loja do outro lado da rua, nunca tinha ouvido falar da marca. «A loja tem boa aparência do lado de fora. Posso comprar aqui para o Eid, mas nem sempre», disse Jamshed Robin, um estudante de ciências políticas de 25 anos de idade, a olhar para o catálogo de preços. O Eid al-Fitr é um feriado religioso de grande relevância e marca um importante período de compras para os muçulmanos. Um par de jeans no Bangladesh custa 990 taka (12,73 dólares) e uma camisa de manga curta custa 890 taka (11,44 dólares), antes do imposto local de 5%. Isso significa que o retalhista visa a pequena, mas crescente, classe média, em vez das massas que compõem os trabalhadores das fábricas de vestuário e que ganham um salário mínimo mensal de 38 dólares. A Uniqlo, no seu website, revela que as suas t-shirts custam 20% a 30% mais do que as vendidas no Bangladesh, e refere a aposta que os consumidores irão pagar um pouco mais pela melhor qualidade. «Não estamos a vender produtos Uniqlo, vamos vender Grameen Uniqlo, que está mais voltada para o mercado local, entre cerca de 200 e 1.000 ienes (2 a 10 dólares)», explicou Naoto Miyazawa, porta-voz da Fast Retailing em Tóquio. A Fast Retailing não aderiu até agora ao pacto de segurança global para as fábricas no Bangladesh, elaborado após o desastre de abril no complexo Plaza Rana, num subúrbio industrial do Norte de Daca, preferindo incrementar as suas próprias inspeções. Miyazawa revelou que a empresa ainda não decidiu se vai assinar o pacto, pois os pormenores não estavam claros. A Uniqlo está a investir 4,6 milhões de dólares no Bangladesh. No seu website, a empresa descreve a iniciativa com o Grameen como um «empreendimento social», e pretende reinvestir os lucros para aliviar a pobreza nas áreas rurais. A Uniqlo deterá 99% por cento da Grameen Uniqlo Ltd e o Grameen Healthcare Trust irá deter o resto.