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Uniqlo corre atrás da Zara

Apesar de pretender concentrar em vestuário para o dia a dia, menos focado nos caprichos da moda e mais na resposta às necessidades do consumidor, a Uniqlo quer adotar um modelo de negócio semelhante ao da gigante da fast fashion Inditex, onde a rapidez e a eficiência de custos e logística são conceitos essenciais.

A Fast Retailing Co, que detém a Uniqlo, está a apostar na velocidade, tanto no aprovisionamento das suas lojas com a moda mais recente como na entrega de produtos feitos à medida aos consumidores, para superar a Zara.

A Fast Retailing planeia reduzir o tempo que demora do design à entrega para cerca de 13 dias, mais ou menos o mesmo tempo que a Zara, detida pela Inditex, afirmou o dono da Uniqlo, Tadashi Yanai, numa entrevista no novo centro de design e logística que a retalhista abriu na área industrial de Tóquio em meados de março. O novo complexo vai igualmente ajudar a Uniqlo a expandir as vendas diretas ao consumidor e personalizadas e melhorar a eficiência da entrega no mesmo dia na área de Tóquio.

«Temos de ser rápidos», afirmou o presidente da Fast Retailing. «Temos de entregar os produtos que o consumidor quer rapidamente», acrescentou.

A maior retalhista japonesa de vestuário pretende aumentar o volume de negócios total em cerca de 70%, para 3 biliões de ienes (cerca de 25 mil milhões de euros), até ao ano fiscal que termina em agosto de 2021. Embora tal possa ainda não ser suficiente para ultrapassar a Inditex, que registou vendas de 23,3 mil milhões de euros em 2016 (ver Inditex com lucro de gigante), Yanai sublinhou que o foco da Fast Retailing em roupa que responde às necessidades diárias dos consumidores vai ajudar a impulsionar o crescimento.

«A Zara vende moda em vez de servir as necessidades dos clientes. Vamos vender produtos que estão enraizados na vida quotidiana das pessoas e vamos fazer isso com base no que ouvimos dos consumidores», explicou Tadashi Yanai.

Os mercados externos, nomeadamente na Ásia, deverão aumentar o seu contributo para dois terços do volume de negócios da Fast Retailing nos próximos quatro anos, em comparação com cerca de metade atualmente. A Uniqlo vai abrir anualmente 100 novas lojas na China e mais 100 no sudeste asiático, revelou o dono da retalhista.

O novo complexo da empresa, no bairro de Ariake, emprega mais de 1.000 pessoas, incluindo designers e equipas de marketing, e também inclui um armazém e instalações de entrega. A concentração de recursos numa única localização vai ajudar a acelerar o processo de operações, acredita Yanai.

«A capacidade de dar a qualquer pessoa, em qualquer lugar, em qualquer momento, vestuário de elevada qualidade para o dia a dia vai diferenciar-nos», acredita. «Queremos entregar produtos que os consumidores querem rapidamente. Por isso é que se chama Fast Retailing [retalho rápido]».

Após ter registado um crescimento do volume de negócios superior a 20% durante três anos seguidos, as vendas foram afetadas no último ano fiscal. A taxa de crescimento abrandou para 6% depois da Uniqlo ter subido os preços devido a custos mais elevados com as matérias-primas. Após o abrandamento, a empresa deu a volta à sua estratégia de preços e divulgou que está empenhada em dar o preço mais baixo possível, mas foi forçada a rever o objetivo traçado para o volume de negócios para 2021, para 3 biliões de ienes em comparação com os 5 biliões de ienes anteriores.

A empresa quer ainda automatizar o mais possível as operações, incluindo seguir os produtos da embalagem à entrega e usar inteligência artificial para prever os padrões de venda. Há planos para replicar as instalações de Ariake nos mercados externos nos próximos três anos, revelou Tadashi Yanai.

«A velocidade é, definitivamente, mais importante. Yanai costumava pensar que não fazia mal ter um ciclo mais lento porque vendia vestuário para a vida», referiu Chelsey Tam, analista na Morningstar Investment Services em Hong Kong, à Bloomberg. «O ciclo pode ser um pouco mais longo do que a Zara, mas é importante melhorar a eficiência», apontou.

Dentro de três anos, a Fast Retailing quer expandir a seleção de produtos à medida disponíveis para os consumidores, de acordo com o presidente da retalhista.

A Fast Retailing começou como uma pequena retalhista de vestuário de homem na zona de Yamaguchi, na zona ocidental do Japão. Desde que Tadashi Yanai assumiu, em 1984, o negócio começado pelo pai, transformou-o na maior produtora de vestuário do país.

Nos EUA, onde a Fast Retailing tem tido dificuldade em ter lucro, vai fechar lojas em centros comerciais mais pequenos e transferir algumas para localizações premium com o objetivo de aumentar e melhorar a notoriedade da marca. O número de lojas vai diminuir em resultado destas alterações, adiantou Yanai.

A Uniqlo não percebia até agora os gostos dos consumidores americanos, tendo os tamanhos e os estilos errados para os consumidores americanos, de acordo com Chelsey Tam. «Pode haver um enorme potencial porque a Uniqlo vende vestuário básico – se tiver o inventário certo», resumiu a analista.