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Upcycling nas mãos da A. Ferreira

Atenta às tendências de mercado, a A. Ferreira & Filhos tem vindo a investir na área da sustentabilidade, tanto no private label como na marca própria Wedoble. Agora, as cartas estão na mesa, com o lançamento da nova marca BUSP – Buy Upcycling Save the Planet, dedicada à redução do desperdício.

Cátia Relvas e Márcia Pacheco

«Neste momento temos em mãos um projeto que vem do upcycling, em que reaproveitamos o desperdício da nossa produção, em termos de fio», revela Cátia Relvas, responsável pelo sistema de gestão da qualidade e da inovação, ao Portugal Têxtil. Lançada em novembro, a marca chama-se BUSP – Buy Upcycling Save the Planet e surge da necessidade, da empresa A. Ferreira & Filhos, de reduzir o seu impacto ambiental.

Aproveitando as matérias-primas que sobram da produção de coleções anteriores, a marca transforma o desperdício num novo produto – um cachecol – conferindo-lhe valor acrescentado, através da combinação de diferentes composições e incorporação de design. A BUSP assume-se, então, como «uma marca sustentável na produção de cachecóis para homem e senhora», descreve na sua página de Facebook, um dos canais de venda dos produtos, a par do Instagram.

Esta é mais uma das estratégias da produtora de vestuário e têxteis-lar, que nos últimos anos tem vindo a apostar na vertente ecológica. «Já temos certificado OEKO-TEX e estamos cada vez mais a apostar em fibras que sejam naturais», afirma Cátia Relvas, adiantando que agora estão «a implementar o sistema de gestão de qualidade. Vamos ter o [certificado] GOTS e o próximo passo é também certificar o sistema de gestão de IDI [Investigação, Desenvolvimento e Inovação]».

Ambição em meia dose

Do universo da A. Ferreira & Filhos, também faz parte a Wedoble, marca de vestuário de criança, com uma representatividade no total da faturação que se tem vindo a aproximar dos 50%. «É um objetivo ambicioso, porque uma marca tem outro tipo de desafios, de investimentos financeiros e a parte do private label é importante para nós, até para continuarmos a ter preços bons», explica Márcia Pacheco, gestora da Wedoble, ao Portugal Têxtil.

Para a coleção outono-inverno 2020/2021, a marca segue a aposta da empresa-mãe na sustentabilidade, com a «utilização de fios novos», nos quais, «cada vez mais, os orgânicos vão ocupar uma parte maior da coleção», além dos «fios nobres, como a caxemira», assegura a gestora.

Exportando cerca de 80% da sua produção, a marca vende sobretudo para Itália, Reino Unido, Espanha, Holanda e, mais recentemente, Colômbia. Contudo, Márcia Pacheco admite que «este ano deixamos de vender a Wedoble nos EUA. Tínhamos um showroom em Nova Iorque, mas não estava a correr muito bem». No entanto, a decisão não é permanente e a marca espera voltar com um cliente importador. «Do outro lado do oceano, é melhor ter um importador do que um agente», reconhece a gestora.

Em Portugal, a Wedoble tem quase 150 pontos de venda, em lojas multimarca, além da presença online, nas plataformas Minty Square e Dott. Não obstante, «como temos tão pouco stock começa a ser insuficiente para distribuir por todas as plataformas», assevera Márcia Pacheco.

Apesar da A. Ferreira & Filhos integrar «o ciclo completo» de produção, desde armazenamento, fiação, tricotagem, confeção e lavandaria, a gestora esclarece que «subcontratamos alguma parte da confeção», porque «não temos capacidade para tudo». A empresa emprega 76 trabalhadores que produzem entre 250 a 350 mil peças por ano, sendo que 150 mil são para a Wedoble.

Este volume de produção chegou para que, em 2018, a A. Ferreira & Filhos atingisse os 4 milhões de euros de faturação. O corrente ano começou com o pé esquerdo para o private label, prejudicado pelo encerramento de algumas lojas do seu cliente Gant. «O primeiro semestre foi um pouco fraco», nomeadamente «ao nível dos têxteis-lar», assume a gestora. «O desfecho deste ano ainda está em aberto. O objetivo é sempre crescer, na ordem dos 5%», garante. Agora é o momento de «estabilizar» e «garantir os clientes que temos. Ambicionamos um crescimento, mas não muito ambicioso», conclui Márcia Pacheco.