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Uzbequistão sob fogo

Um grupo da indústria de vestuário, retalho, investidores e organizações de direitos laborais estão a pedir ao governo do Uzbequistão para tomar medidas imediatas para acabar com o trabalho forçado – incluindo a utilização de crianças durante a colheita de algodão. Numa carta enviada à Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, o grupo indica também que o governo do Uzbequistão deveria convidar a Organização Internacional do Trabalho (OIT) para monitorizar a colheita de algodão de 2012. A ação surge antes da divulgação pelo governo americano do seu relatório anual Global Trafficking in Persons. Sob a lei dos EUA Trafficking Victims Protection Reauthorization Act (TVPRA), o governo uzbeque deveria apresentar um plano escrito que constitua «esforços significativos» para eliminar trabalho forçado, de forma a evitar descer no relatório de tráfico mundial, o que deve despoletar sanções automáticas. A coligação de grupos, que inclui a American Apparel & Footwear Association, a Child Labor Coalition e o Fórum Internacional de Direitos Laborais, entre outros, considera que o governo uzbeque falhou em cumprir estas condições. Com efeito, persistentemente nega a existência de trabalho forçado e trabalho infantil forçado no setor do algodão e reprime os ativistas locais que tentam monitorizar a colheita de algodão. O relatório do ano passado Global Trafficking in Persons concluiu que o sistema de quota estatal do governo do Uzbequistão para a produção de algodão era a causa de raiz da prática. «Negar o acesso da Organização Internacional do Trabalho ao Uzbequistão durante a colheira de algodão e o amordaçamento dos ativistas locais que tentam documentar o trabalho infantil forçado mostram que o governo uzbeque não é credível no que respeita a lidar com esta questão», considera Steve Swerdlow, investigador para a Ásia Central da Human Rights Watch. «O governo dos EUA deve, pelo menos, insistir na monitorização independente pela OIT e por grupos de direitos locais para evitar uma descida no relatório de tráfico», acrescenta. A coligação afirma que as notícias relativas à colheita de 2011 pelos grupos de monitorização locais sublinham a coerção de crianças tão novas quanto 10 anos, assim como de adultos, alegadamente incluindo funcionários das empresas americanas General Motors, para apanhar algodão e cumprir as quotas de produção de algodão do governo.