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«Vai demorar algum tempo até atingirmos os valores pré-Covid»

Nas primeiras três semanas de reabertura do retalho, após o confinamento originado pela pandemia de Covid-19, a quebra das vendas no Porto atinge os 50% e em Lisboa chega mesmo aos 70%.

O comércio está a despertar, mas ainda muito longe dos valores pré-Covid. A conclusão é das associações de comerciantes do Porto e de Lisboa, citadas pela TSF, que sublinham que as quebras em Lisboa atingem os 70% e no Porto os 50%.

Para Joel Azevedo, presidente da Associação de Comerciantes do Porto, a recuperação tem sido lenta e gradual.

«Há comércio que está praticamente estagnado e outro que teve uma recuperação rápida, nomeadamente os cabeleireiros. Havia uma grande necessidade e procura», revela. «A maior parte está a recuperar gradualmente, lentamente, embora se sinta alguma recuperação. Estamos com alguma expectativa para que comece a crescer a partir de dia 1 de junho e sobretudo durante o período de férias», afirma o presidente da Associação de Comerciantes do Porto.

Joel Azevedo garante que os comerciantes estão otimistas e apelas aos portugueses para que comprem «o que é nosso».

Já o presidente da Associação Comercial do Porto, Nuno Botelho, adianta que a procura está muito aquém do esperado. «Não é de um momento para o outro que as pessoas carregam num botão e passam a ir a restaurantes e lojas», admite Nuno Botelho.

O presidente da Associação Comercial do Porto reconhece que a confiança «é um processo e um processo que leva tempo». Ainda assim faz um «balanço positivo com a certeza que as coisas estão a evoluir, a economia está a retomar mas vai demorar algum tempo até atingirmos os valores pré-Covid».

Mas nem todos estão tão otimistas. Maria de Lourdes Fonseca, presidente da União de Associações de Comércio de Serviços de Lisboa assegura que as quebras no negócio rondam os 70%.

Maria de Lourdes Fonseca assegura que o «consumo é ainda muito reduzido», sublinhando que «tudo o que não seja bens de primeira necessidade…as lojas de comércio normal de rua, moda, sapatarias têm muito pouco movimento».

Na base destes números estão, segundo a presidente da União de Associações de Comércio de Serviços de Lisboa, dois motivos: o medo e o teletrabalho. «Há um misto de receio e de indeterminação do que vai acontecer e os hábitos de consumo tendem a concentrar-se no essencial», conclui.