Início Arquivo

Valores de base para crescer

Nas lojas multimarcas independentes em França não há, aparentemente, nem agitação nem inquietude particular. Jean-Pierre Assaraf, responsável das lojas Clubothèque e Club Player, em Nice, revela que «discuto todos os dias com os meus filhos, é a nossa preocupação actual» as disposições postas em marcha para manter o consumo nos próximos meses. «Vamos fazer um forte esforço de comunicação», indica o responsável, que aumentou o seu volume de negócios em 25% em 2008 (com a abertura de um novo ponto de venda). «Vamos igualmente melhorar o nosso merchandising, desenvolver esforços no acolhimento e no serviço ao cliente e dar mais atenção ao ambiente». O serviço. é neste ponto que insiste desde a sua abertura, recente, a loja Dolls, em Paris. «Fidelizamos os nossos clientes informando-os em primeira-mão por e-mail ou por telefone das colecções que estão para chegar e que lhes podem interessar», explica o gabinete de comunicação e compras da Bmcs, na origem da Dolls. «Da mesma forma, tentamos conhecer em detalhe os gostos e as necessidades dos clientes. Se recebemos, por exemplo, novidades de uma marca que apreciam, contactámo-los ou tentamos responder às suas necessidades encomendando directamente ao criador a peça que indicaram». A prestação destes serviços talvez se tenha acentuado mas, em geral, era já habitual. Assim como os orçamentos de compras que, na maioria dos casos, também se mantêm. Assaraf diz ter sentido «desde a Primavera de 2008 que íamos atravessar um período difícil». Não modificou, contudo, as suas compras de Verão e para o próximo Inverno procurou «atingir mais o segmento alto. é o nosso nicho». Nathalie Gilo, uma das duas responsáveis da Axsum, em Bordéus, agiu da mesma forma. «Reduzimos o nosso orçamento nos produtos mais básicos e aumentamos nos artigos mais fortes, aqueles que temos a certeza que os nossos clientes não encontrarão noutro lado», indica a profissional, que vende os criadores Maison Martin Margiela, Ann Demeulemeester, A. F. Vandervorst, Rick Owens, Dries van Noten ou Isabel Marant, assim como todas as linhas de Yohji Yamamoto. «Começamos neste momento a comprar para o Inverno e, em todo o lado, dizem-nos que isso funciona melhor». Não está em questão, no segmento de gama alta, fazer promoções específicas. A aposta é na exposição das colecções e, antes disso, nas compras, que se dirigem para produtos «mais luxuosos», dizem uns, «mais belos», dizem outros, «com um temperamento mais forte», precisa um terceiro, enquanto que um quarto não hesita em dizer «mais caros», explicando que «o que é belo, o que se demarca, é caro». é o regresso aos princípios de base. O regresso ao lugar central dos produtos. Aquilo que fará ceder – ou não – a cliente. O que se põe à volta poderá ajudar a vender mas não substituirá jamais a força de sedução dos próprios artigos. é assim que Jean-Christophe Rabaud, da loja Crazy Republic, em Nantes, lança um lapidar «nova colecção» quando interrogado sobre as prioridades neste momento. «Tudo depende do que colocamos, o que damos a ver», sublinha Brigitte Masson, responsável pela loja Trésor em Paris. «Eu procuro que seja o mais apetecível possível e antes, nas minhas compras, tenho muito cuidado para equilibrar a minha oferta. Na gama média (Essentiel, Rutzou, Hoss Intropia ou Hache) não senti a crise. Mas estou sempre atenta. Talvez no próximo Inverno fique menos propensa a ultrapassar o meu orçamento mas, por agora, tenho bons feedbacks para o Verão. Os meus clientes conhecem-me e eu conheço-os – estabelecemos ao longo do tempo uma relação de confiança. A menos que fiquem todos desempregados amanhã, não vão deixar de se vestir».