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Velocidade e fornecimento tornam-se inseparáveis

De acordo com o publicado pelo just-style.com, quase todas as marcas e retalhistas estão a procurar formas de diminuir o espaço temporal entre a criação do produto e a sua entrega. A produção no ocidente pode abreviar este processo em média em três semanas comparativamente ao oriente.O encurtar deste ciclo permite aproximar a compra do produto à procura real melhorando a precisão das previsões e minimizando o risco de excesso de stock que terá de ser vendido a baixo custo.

A necessidade de velocidade estende-se para além do ciclo de produção incluindo também o ciclo de desenvolvimento. A rapidez na inovação é fundamental para atrair o interesse dos consumidores continuando os EUA a ser um centro de inovação no que diz respeito à fibra e aodesign.

Por exemplo, aUnimatrix – detentora de uma rede de produtores qualificados nas Américas – formou recentemente uma aliança estratégica com aUnifi Inc., um dos produtores e processadores mundiais líder de fios texturizados. Esta aliança aproveita a perícia daUnifina inovação de fibra edesign para o desenvolvimento de projectos de vestuário de performance.

Vantagens económicas

Algumas vantagens económicas também estão a contribuir para o aumento do interesse no Ocidente em particular no que diz respeito ao vestuário sintético. Os impostos sobre este tipo de vestuário podem chegar aos 32 por cento ou mais fora da Ásia comparativamente aos inexistentes impostos na maior parte dos países da América Central e Sul, uma vantagem que muitas vezes compensa os custos mais elevados da força de trabalho ou dos tecidos disponíveis na região.

Além dos impostos, o Ocidente também oferece vantagens relativamente aos custos de transporte para os EUA, factor que ganhou importância tendo em consideração o aumento das taxas de embarque asiáticas. Estima-se que a capacidade limitada dos navios da Ásia tenha resultado num acréscimo de 3 por cento no preço de todo o vestuário fornecido por esta região neste ano.

Muitas marcas e retalhistas estão também cada vez mais relutantes em concentrar toda a sua riqueza na Ásia apontando razões como a inconstante situação política, assuntos de saúde (Síndrome Respiratório Agudo e a Gripe das Aves) e a deslocação transcontinental mais custosa e menos confortável.

As condições mais modernas e a relativa estabilidade das Américas, juntamente com a conveniência de operar nas mesmas zonas horárias estão a justificar plenamente a deslocalização de alguma ou mesmo de toda a produção para o Ocidente.

Em último lugar, as empresas locais de fornecimento têm agora a flexibilidade de fornecer em muitos países, incluindo o hemisfério ocidental, e de se mudar de país para país de acordo com as necessidades. 

Com as marcas e retalhistas sob pressão para reduzir os custos de forma a obter margens de lucro mínimas a oportunidade de ter serviços exteriores que garantam o fornecimento torna-se num cenário atractivo para muitas empresas. Esta situação significa não só uma poupança de tempo e custos, mas permite também uma maior flexibilidade na colocação dos seus programas que por sua vez podem ajudar a obter melhores preços.

Crescimento continuado

Com o interesse actual no Ocidente bem estabelecido existem factores adicionais que deixam antever a continuação do crescimento nesta região.

Algumas previsões apontam para que a remoção das quotas agendada para 1 de Janeiro de 2005 resulte numa mudança ainda maior da produção para a China, podendo igualmente despoletar uma série de mudanças que podem favorecer destinos alternativos de fornecimento.

A pressão para a reavaliação da moeda chinesa poderá conduzir a alterações dramáticas no estabelecimento dos preços ou poderá mesmo resultar na imposição de impostos adicionais que seriam equivalentes aoYuan reavaliado. Assim sendo, o deficit americano é sempre um tópico controverso em ano de eleições podendo o nivelamento da moeda com a China tornar-se num assunto político chave em 2004.

Quem tem 100 por cento da sua produção na China não poderá deixar de considerar os mecanismos de regulação que continuarão activos depois da remoção das quotas para permitir aos EUA parar a produção em curso se os aumentos da mesma forem demasiado elevados.

A história demonstra que a China começará a exigir períodos de produção cada vez mais longos se as suas fábricas registarem um aumento muito significativo de encomendas em 2005, sendo precisamente o oposto do que as marcas e retalhistas americanos precisam ou querem. Os produtores ocidentais preferem períodos de produção mais curtos que juntamente com tempos de entrega mais pequenos os tornam numa alternativa muito atractiva relativamente à China.

Os ciclos de vida dos produtos continuarão a ser mais cada vez mais curtos em todas as categorias tornando as previsões cada vez mais difíceis. O custo de lidar com o excesso de stocks e as oportunidades falhadas resultante da falta de stocks continuarão a desgastar a rentabilidade das marcas e retalhistas americanos.

Aproximar o fornecimento de casa oferece a possibilidade de fazer previsões positivas ou negativas mais rapidamente e dentro da estação que se vive, melhorando a precisão e os lucros potenciais de programas.

Variedade de fornecimento

O interesse no fornecimento variado começa a crescer uma vez que representa o melhor dos dois mundos. As empresas podem inicialmente fazer encomendas junto de fornecedores das regiões de custo mais baixo e posteriormente fazer encomendas a fornecedores geograficamente mais próximos para responder rapidamente à procura que tenha excedido as previsões iniciais.

Uma vez que estas encomendas excepcionais se baseiam na procura real do consumidor a possibilidade de pagar um preço ligeiramente superior torna-se numa solução aceitável para conseguir colocar a mercadoria previamente vendida no terreno de uma forma rápida.

No entanto, o fornecimento variado requer uma empresa nesta área que assegure o fornecimento exactamente das mesmas matérias-primas em qualquer parte do mundo para que os produtos tenham uma qualidade idêntica, tanto nas encomendas inicias como nas suplementares.

Muitas marcas americanas e retalhistas não prestaram atenção à América Central e do Sul devido à falta de infra-estruturas da região. Para além disto a disponibilidade dos grandes fornecedores asiáticos e a sofisticação da indústria banqueira na Ásia conseguiram oferecer uma variedade de serviços na mesma localização.

O Ocidente tem muitas vantagens competitivas para as marcas e retalhistas americanos e a existência de alianças estratégicas entre empresas globais de fornecimento e cadeias de fornecedores ajudarão a continuar a trazer o fornecimento de volta a esta região.