Início Notícias Retalho

Vendas da H&M em queda

A H&M surpreendeu o mercado com uma queda das vendas no mês de fevereiro, algo que não acontecia há quatro anos. Uma performance que contrasta com o crescimento das vendas da Inditex e que pode refletir, segundo os analistas, alguma perda de fulgor da fast fashion.

As vendas da retalhista sueca caíram 1% em termos anuais em moeda local e antes do ajustamento de efeitos de calendário – uma vez que o mês de fevereiro de 2017 contou com menos um dia do que fevereiro de 2016 –, tendo aumentado 3% quando ajustadas aos efeitos de calendário. «O efeito negativo de calendário atingiu aproximadamente 4% uma vez que fevereiro de 2017 teve menos um dia do que fevereiro de 2016, que foi um ano bissexto», sublinhou Karl-Johan Persson, CEO da Hennes & Mauritz, que assina o comunicado publicado no website da retalhista.

Uma performance que desiludiu o mercado – os analistas consultados pela Reuters antecipavam um aumento de 6% – e ficou muito aquém dos resultados da rival Inditex, que anunciou uma subida de 13% nas últimas seis semanas (ver Inditex com lucro de gigante).

Parte da justificação para este resultado, avança a Reuters, pode estar no abrandamento das vendas nos mercados nórdicos, que constituem uma quota importante do negócio da H&M. Segundo um inquérito realizado pela revista Textilwirtschaft aos retalhistas, o mercado de moda alemão, que é o maior para a H&M, terá encolhido 9%. «Penso que as condições de mercado serão o principal motor dos números fracos de fevereiro», referiu Adam Cochrane, analista da UBS, que em declarações à Reuters acrescentou ainda que os investidores temem que a H&M esteja a perder quota de mercado.

Fevereiro é ainda o último mês do primeiro trimestre do novo ano fiscal da H&M, que anunciou que entre 1 de dezembro de 2016 e 28 de fevereiro de 2017 registou um aumento de 8% das vendas, para 47 mil milhões de coroas suecas – um valor que ficou igualmente abaixo das projeções médias de 48,1 mil milhões de coroas suecas dos analistas inquiridos pela Reuters.

Os resultados da H&M, mas também da Inditex – que registou uma diminuição da margem bruta –, estão a levar alguns analistas a questionarem o dinamismo da fast fashion.

A performance em fevereiro espelha as dificuldades que a indústria da moda, numa altura em que os consumidores estão a divergir o seu orçamento disponível para atividades de lazer e a comprar mais vestuário em retalhistas online, cuja oferta tem aumentado. A maior concorrência está a pressionar os preços, enquanto os custos de produção mais elevados estão igualmente a esmagar a rentabilidade – uma receita que afeta particularmente a fast fashion.

«Em fevereiro, os dados da indústria foram muito difíceis», escreveu Richard Chamberlain, analista da RBC Capital, numa nota citada pela Bloomberg, acrescentando que o declínio de 9% das vendas na Alemanha e de 6% na Suécia refletem «alguma rotação dos gastos para outras categorias de consumo». Chamberlain estima que as vendas comparáveis da H&M tenham caído 3% em fevereiro, uma diminuição que atribui às difíceis condições da indústria e às iniciativas da retalhista para expandir as opções online para os consumidores e melhorar os métodos de aprovisionamento.

Para combater alguns destes sintomas, a H&M tem expandido o seu portefólio de marcas para chegar a mais consumidores e tentado melhorar os seus serviços online. Em janeiro, a retalhista sueca anunciou ter como objetivo um crescimento anual das vendas de 10% a 15% em moeda local.

No final do primeiro trimestre, a H&M contava com 4.393 lojas, em comparação com 3.970 a 29 de fevereiro de 2016.