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Vendas de têxteis podem cair até 40% no sul da Europa

Estudo do Boston Consulting Group refere que impacto do novo coronavírus pode ser semelhante ao do sector entre 2006 e 2013.

O impacto previsto no sector do retalho de artigos têxteis no sul da Europa pela crise do COVID-19 poderá atingir uma quebra de 40% no volume de vendas.  Segundo dados de um estudo realizado pelo Boston Consulting Group (BCG), publicados na segunda-feira pelo jornal espanhol Expansion, a região onde se insere Portugal, Espanha e Itália será a mais afetada do globo. A impactar estas quebras estão, para além das medidas de contenção, a quebra no sector do turismo nestes países.

A nível mundial, as previsões do BCG apontam para uma contração que pode variar entre 25% a 35%, o que implica uma descida das vendas entre os 450 mil milhões e os 600 mil milhões de dólares. A consultora adianta ainda que a China, país onde teve origem a pandemia, será o país menos afetado, com um impacto que poderá ir dos 24% aos 30%. Nos Estados Unidos, o maior mercado mundial de artigos têxteis, a consultora prevê uma descida de 23% a 34%.

Impacto sem paralelo

O estudo teve em linha de conta os dados das vendas atuais e as estimativas de quanto tempo durará o fecho das lojas e contou com a participação de 30 presidentes executivos e administradores financeiros de empresas ligadas ao setor.

Impacto da pandemia, decretada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) a 11 de março, pode ser semelhante ao registado pela crise de 2006 a 2013, com a agravante de agora ficar concentrado num só ano.

Também o canal online, que chegara a ser vistos como compensação ao fecho das lojas, apresenta neste momento quebras significativas.

Em Espanha, por exemplo, a consultadora refere que o canal online caiu mais de 50% face ao ano passado, o que, juntamente com o fecho de 100% das lojas, mostra descidas entre os 75% e os 95% na faturação das empresas espanholas do sector.

Mas o fim das medidas de confinamento a que estão sujeitos portugueses, italianos e espanhóis não acaba com o problema. A previsão é que a faturação continue a cair entre os 40% e os 58% até julho ou agosto. «Estimamos que as pessoas continuem receosas em ir às lojas, apesar de estas já estarem abertas», avança o estudo da BCG.

O regresso à normalidade é apontado para o final do ano, mas mesmo aí a consultora prevê descidas que podem chegar aos 20% face a 2019.