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Venham os turistas – Parte 1

Impulsionado por promoções governamentais ao turismo e, mais recentemente, por um iene mais fraco, o número de viajantes que visitam o Japão praticamente duplicou na última década, tendo ultrapassado os 10 milhões pela primeira vez no ano passado. Em 2013, estes mesmos turistas gastaram 14 mil milhões de dólares (10,3 mil milhões de euros) em tudo, desde chá verde em pó e carteiras Prada até aos raros anéis em coral vermelho. Com a duplicação para 20 milhões de visitantes projetada para 2020, o ano dos Jogos Olímpicos de Tóquio, o crescente fluxo de dinheiro é uma boa notícia para o Primeiro-Ministro Shinzo Abe, que está a tentar alimentar a recuperação do consumo através de um aumento dos impostos sobre as vendas nacionais. Está também a levar os retalhistas a darem resposta aos turistas através de canais de marketing, que passam dos media sociais à sinalética nas ruas. «Até agora, fomos relativamente passivos com os visitantes», reconhece Hideyuki Murakami, diretor-executivo dos grandes armazéns Isetan Mitsukoshi. «Mas à medida que os números sobem, temos realmente de acelerar – quer seja a língua, instalações ou seleção de produtos», refere. A associação de grandes armazéns do Japão revelou que as compras duty-free (sem impostos ou com impostos reduzidos) em 46 lojas no país aumentaram 54% em abril, para 6,09 mil milhões de ienes (cerca de 44 milhões de euros) em comparação com o mesmo mês do ano passado, enquanto as vendas totais nos 241 grandes armazéns no país diminuíram 12%, para 417,2 mil milhões de ienes. Entre os visitantes, registou-se um aumento particularmente de tailandeses, que juntamente com os malaios receberam isenções de visto para estadias de curto prazo em julho do ano passado. Muitos gastam livremente nas suas viagens. Yijia, uma rapariga de 16 anos de Xangai que pediu para ser identificada apenas pelo primeiro nome, mostrou uma compra de 90 mil ienes na loja do Mitsukoshi de Ginza que incluía um par de sapatos da Kenzo. «Adoro vir ao Japão para comer e fazer compras», afirma a estudante, na sua terceira visita ao Japão com a mãe. «Toda a gente adora a comida em Tóquio, incluindo a cozinha francesa», acrescenta. Os 1,42 biliões de ienes gastos pelos visitantes representam uma subida de mais de um terço em comparação com 2012, segundo a Agência de Turismo do Japão. Isso é menos de 0,5% do consumo privado total do Japão, mas ainda assim dá aos retalhistas uma folga bem-vinda em relação ao aumento do IVA em abril de 5% para 8%, que está a desencorajar os consumidores locais. Os números de visitantes do Japão são bastante pequenos em comparação com os 83 milhões de visitas que tornaram a França o destino turístico mais popular em 2012, o último ano em que a Organização de Turismo Mundial das Nações Unidas publicou estimativas. No 33.º lugar em termos de visitantes, o Japão está atrás dos destinos de turismo da Ásia como Hong Kong, Macau e Coreia do Sul. No entanto, o seu contributo para a economia terá uma importância crescente à medida que a população japonesa entra em declínio – as estimativas sugerem que com o envelhecimento, a população vai diminuir em 10 milhões de pessoas até 2030. Até lá, o governo espera que uma maior liberalização dos vistos e uma possível legalização dos jogos nos casinos traga 30 milhões de visitantes. A segunda parte deste artigo revela as medidas que estão a ser tomadas pelos retalhistas do Japão para cativarem estes novos consumidores.