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Ventos de inovação na Heliotextil

A produtora de etiquetas, tranferes e passamanarias está a insuflar o mercado com inovações que a colocam na primeira linha da indústria 4.0. Eletrónica impressa, luvas com capacidade de toque, imagens interativas ou Rfid embebido são apenas algumas das novas soluções no portefólio da Heliotextil.

Em 1964, quando a empresa deu os primeiros passos, a eletrónica estaria ainda longe do pensamento dos fundadores, mas hoje, e cada vez mais, a Heliotextil está na linha da frente da integração de tecnologia em têxteis.

O processo que lhe haveria de dar nome – o sistema heliotextil, de rotogravura de etiquetas – mantém-se como área de negócio da empresa, mas a Heliotextil de hoje tem muito mais dentro de portas.

«Acabamos por ter dois grandes segmentos: a área têxtil, que tem a ver com as fitas, a passamanaria estreita, os elásticos, as etiquetas tecidas em jacquard, a transformação de tecidos; e depois temos a outra unidade, onde fazemos toda a área de impressão, a nível de transferes, a impressão de etiquetas e de fitas usando processos de impressão digital», explica o CEO Miguel Pacheco ao Portugal Têxtil.

A introdução da eletrónica trouxe novos investimentos, «não só na área de equipamentos, mas na área de laboratório e engenharia dos materiais», com o departamento de I&D a desenvolver uma série de novos produtos que estão na vanguarda do mercado.

I&D sem limites

Na área da impressão de circuitos eletrónicos, a Heliotextil desenvolveu, por exemplo, uma banda de aquecimento com sensorização que permite medir e regular a temperatura com recurso a uma app.

«Neste caso aplicamos num casaco para ser usado em câmaras frigoríficas. Foi um projeto que desenvolvemos em conjunto com a Damel, em que funcionalizamos um casaco ativando uma banda de aquecimento, que permite garantir conforto ao seu utilizador e, ao mesmo tempo, dar alertas em caso de a temperatura do corpo estar com valores que devem ser assinalados», refere Miguel Pacheco.

Este projeto ainda não está no mercado, mas há soluções desenvolvidas pela Heliotextil que começam a atrair a atenção dos clientes. É o caso das luvas com capacidade touch, os bolsos funcionais ou as imagens interativas. «Conseguimos embeber numa imagem um código que é lido por uma aplicação que nós desenvolvemos que permite enviar um link para uma loja online ou uma ficha técnica de produto», revela o CEO. Uma tecnologia provada in loco no Innovative Apparel Show, nomeadamente nas propostas de Ana Eusébio (ver ESAD arrecada prémios em Frankfurt).

O BraceIn – uma pulseira em material têxtil com incorporação de Rfid que permite, por exemplo, interagir e fazer o registo e o controlo de acessos em eventos – tem também já provas dadas no mercado, «com vários eventos já realizados», aponta o CEO.

«Estas inovações acabam por transmitir ao cliente o que queremos transmitir, que é esta nossa dinâmica de estarmos a desenvolver o produto para podermos perspetivar o que poderão ser as soluções futuras nesta área», sublinha Miguel Pacheco.

Recentemente, a empresa, que emprega cerca de 100 pessoas e exporta diretamente 35% da produção, esteve na Techtextil (ver Há vida em Frankfurt), onde apresentou alguns destes projetos, nomeadamente na área da eletrónica impressa, da rastreabilidade, de processos inovadores de tecelagem e customização.

«Qualquer feira obriga-nos e motiva-nos a estarmos num processo de desenvolvimento contínuo», reconhece Miguel Pacheco, que destaca ainda o encontro regular com os clientes, que assume particular importância em certames como o de Frankfurt.

Portas abertas ao futuro

«Queremos dominar a impressão dos materiais condutores, dominar as suas características e reprodutibilidade», afirma, ao Portugal Têxtil, David Macário, diretor de inovação na empresa, que acredita que a Techtextil é ainda um certame para apreender as tendências. «Consegue-se compreender novas aplicações para os produtos, consegue-se validar se uma linha de investigação e desenvolvimento tem aceitação ou não e consegue-se vir com a cabeça a fervilhar de novas ideias», acrescenta.

«Muitas vezes, nesta área das tecnologias, cada cliente apresenta-nos projetos, não são produtos. É esta versatilidade que nos distingue bastante, poder integrar competências de industrialização, com competências na área do desenvolvimento de software ou da eletrónica são competências que, de facto, todas juntas neste tipo de soluções é uma mais-valia e uma vantagem muito importante e que o cliente reconhece imediatamente», sublinha, por seu lado, Miguel Pacheco.

Depois do crescimento de 7% a 8% em 2016, para um volume de negócios que rondou os 5 milhões de euros, as ambições da Heliotextil passam por continuar a apostar na inovação e na internacionalização. «Vemos oportunidade de crescimento no mercado externo e, sobretudo, em produtos que representam, de alguma forma, uma capacidade de desenvolvimento de acordo com os requisitos do nosso cliente», adianta o CEO ao Portugal Têxtil.